segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Vantagem Competitiva por meio da Responsabilidade Socioambiental em indústrias do setor de eletroeletrônicos

Resumo

Estudos apontam para uma demanda crescente por ações socioambientais como meio de promover o bem estar socioambiental tornando a sustentabilidade parte da agenda dos negócios. O posicionamento de cada empresa está associado aos princípios e valores da cultura dominante em sua gestão em que ela realiza suas operações de negócio, refletindo-se na orientação estratégica para a responsabilidade social corporativa. Portanto, a dimensão socioambiental incorporada ao negócio da empresa pode ser entendida como um programa específico para beneficiamento dos stakeholders presentes nas relações de negócios. O objetivo deste trabalho foi de identificar se a responsabilidade socioambiental cria vantagem competitiva. Neste sentido, a pesquisa com as empresas do setor de eletroeletrônicos permitiu considerar que responsabilidade socioambiental caminha para duas direções - uma para criar vantagem competitiva e outra com foco na obrigação legal, além de confirmar a teoria porteriana de que as ações socioambientais devem ser iniciadas a partir da cadeia de valores da organização.

Palavras chave: Estratégia, Responsabilidade Social, Vantagem Competitiva, Sustentabilidade


Abstract

Studies point to a growing demand for environmental initiatives as a means of promoting the welfare making environmental sustainability on the business plans. Therefore, the environmental dimension embedded in the company's business can be understood as a specific program for improvement of these stakeholders in business relationships The objective was to identify the social and environmental responsibility creates competitive advantage. In this sense the search with the companies in the electronics possible to consider that environmental responsibility goes in two directions - to create a competitive advantage and the other focusing on legal obligation, in addition to confirming the theory that Porter, (1986) environmental actions should be initiated from the value chain of the organization.


Key Word: Strategy, Social Responsibility, Competitive Advantage, Sustainability


Introdução

Caminhamos para um futuro onde as empresas deverão ter visão de longo prazo e uma forma de pensar ecologicamente. Muitas empresas têm buscado patamares superiores de desempenho, estruturando parte ou o todo de seu trabalho em equipes. A gestão das organizações sempre foi marcada pela eficácia, sinalizada através de indicadores, a maioria deles quantitativo e financeiro: lucratividade, participação de mercado, produtividade etc. Contudo, podem não ser suficientes para mensurar o desempenho da organização face aos fatores externos de dimensão socioambiental. Em gestão, o questionamento do bem estar social ficou muito tempo na sombra, há, no entanto, a necessidade de emergir o bem estar socioambiental como importante elemento de reflexão e inclusão nos interesses da organização.
O aquecimento global é uma resultante do desmatamento, da emissão de gases poluentes dentre tantas outras ações insustentáveis provocadas por um sistema capitalista exageradamente neoliberal e que tais ações vêm se traduzindo ao longo do tempo como uma espécie de efeito colateral do desenvolvimento que a natureza nos impõe em função da ausência de planos efetivos que promovam o bem estar socioambiental.
As ações das organizações devem passar pelo crivo da conjuntura socioambiental, onde a importância da biologia deverá ser cada vez mais disseminada entre a população e aos gestores coorporativos.
A Ypê, por exemplo, que fabrica uma linha completa de produtos de limpeza para uso doméstico e sob uma política de preços baixos, investiu na área social e no meio ambiente, desenvolvendo ao longo do tempo inúmeras ações com esse enfoque. Em 2007 iniciou um projeto mais arrojado, o Projeto Florestas Ypê, que plantou milhares de árvores em regiões de matas ciliares, minimizando os efeitos que o confronto da vida moderna acarreta à natureza, ajudando a garantir a todos um futuro melhor. A idéia rendeu à marca Ypê um lugar entre os líderes do novo prêmio Preservação do Meio Ambiente da Folha Top of Mind 2007.
A Natura investe em preservação ambiental há muito tempo. Há 38 anos quando surgiu, a empresa recebeu esse nome justamente por priorizar ingredientes da natureza como matéria-prima de seus cosméticos. Em 1983, ano em que as Nações Unidas criaram a comissão de meio ambiente e Desenvolvimento, foi pioneira no uso do sistema de refil no país. No lançamento do Protocolo de Kyoto, em 1997, a empresa converteu sua frota de distribuição na grande São Paulo para Gás Natural Veicular (GNV). As ações de sustentabilidade da companhia também abrangem o uso sustentável de ativos da biodiversidade brasileira em alguns de seus produtos (os perfumes do grupo que levam álcool orgânico), a avaliação do ciclo de vida das embalagens e programa de carbono neutro, lançado em 2007. O projeto teve como meta reduzir 33% em cinco anos, as emissões de gases do efeito estufa em toda a cadeia de negócios da NATURA da extração de matéria-prima ao descarte de embalagens e compensar o que não for possível diminuir.
Todo esse investimento se refletiu de várias maneiras, entre elas na Bolsa de Valores: ações da empresa tiveram valorização de 191,32% desde o início de sua negociação na Bovespa, em maio de 2004. Em quatro anos de 2005 -2008 o número total de itens de revenda da companhia saltou de 98 milhões para 241 milhões, e a quantidade de colaboradores evolui de 2.800 para 4.300.
A problematização colocada para originar este trabalho surge através da seguinte pergunta: É possível obter vantagem competitiva por meio da responsabilidade socioambiental?
A pergunta de partida para problematização nos direciona em compreender as dimensões de estratégia corporativa, vantagem competitiva e responsabilidade social corporativa e de que forma estas dimensões de relacionam. Neste contexto são esperadas os seguintes pressupostos acerca de responsabilidade social para criar vantagem competitiva; reputação da marca, lucratividade ou obrigação legal.
O referencial teórico do presente trabalho vem se apoiar em dois contextos; o primeiro refere-se à estratégia organizacional, mais precisamente a criação de vantagem competitiva. Neste sentido, na visão de Porter as ações socioambientais podem ser criadas por meio por meio da cadeia de valores da organização. O outro contexto, diz respeito à Responsabilidade Socioambiental - cuja finalidade além de conceituá-la, também é resgatar historicamente a sua evolução e apresentar uma configuração atual em torno da organização. De uma forma mais ampla, a vantagem competitiva ajudou a tornar a estratégia mais concreta e mais viável. Por serem o que as empresas fazem, as atividades são tangíveis e podem ser gerenciadas. A estratégia já não é mais apenas uma visão ampla, mas a configuração especifica de atividades que uma empresa adota em comparação com suas rivais.

Justificativa

As empresas precisam buscar cada vez mais formas criativas de recompensar o consumidor nas transações em longo prazo. As bases para a busca de um relacionamento mais estável com o consumidor podem ultrapassar o conjunto de atributos e benefícios de produtos ou serviços. A forma de competir pode não estar somente associada ao produto ou serviço, talvez seja preciso conquistar o consumidor por outras vias. Valor, pode ser o que as organizações terão que ofertar ao consumidor continuamente sob contexto do bem estar socioambiental. Ainda que lentamente, especialmente no Brasil pesquisas apontam que o consumidor tende a valorizar cada vez mais não só os benefícios de produtos ou serviços , mas, também as ações socioambientais promovidas por empresas com intenções de cair na graça do cliente, tornando a possibilidade da Responsabilidade Socioambiental como fonte de vantagem competitiva.
De fato, existe uma crescente assunção da Responsabilidade Socioambiental pelas empresas, onde o foco pode não estar centrado apenas nas imensas possibilidades de publicidade e que o âmbito da civilização global manifesta nas empresas a preocupação com a qualidade de vida, preservação e harmonia social.

Objetivo

Estudar de que forma a dimensão da responsabilidade socioambiental corporativa se associa com estratégia empresarial para criar vantagem competitiva.

2. Resgate conceitual de Responsabilidade Social Corporativa - RSC

As transformações sócio-econômicas dos últimos anos têm afetado profundamente o comportamento de empresas até então acostumadas à exclusiva maximização do lucro. Se, por um lado, o setor privado tem cada vez mais lugar de destaque na geração da riqueza; por outro lado, sabe-se que quanto maior o poder, maior é a responsabilidade. Assim, em função da capacidade de criação de riqueza, dos recursos financeiros e humanos disponíveis, pode-se afirmar que as empresas têm uma intrínseca responsabilidade social.
Qual o papel desempenhado pelas organizações na sociedade? Esta pergunta é fonte de um intenso debate no meio acadêmico e empresarial, originando um grande número de trabalhos baseados em teorias econômicas e organizacionais. Os relacionamentos entre indústrias, mercados e sociedade, no auge da produção industrial, deram origem ao conceito de responsabilidade social das empresas, fruto da crescente importância das atividades industriais no contexto social, envolvendo interferências no meio ambiente, infra-estrutura urbana, relacionamento humano e mudanças de valores culturais nas comunidades industriais.
Com o intuito de favorecer uma compreensão sobre os diversos marcos históricos acerca de responsabilidade social, este texto pretende fazer um breve resgate histórico (Figura 1) das ações sociais como parte das atividades empresariais, cujo meio de sua sobrevivência sempre esteve pautado na racionalidade econômica. Nota-se que a Responsabilidade Social ao longo da história vem perdendo o sentido de simples atividade correlacionada à empresa e ganhado destaque no processo de tomada decisão estratégica. Em razão da evolução conceitual acerca de Responsabilidade Social Corporativa, entende-se que ações socioambientais e sustentabilidade possuem o mesmo sentido.
Na década de 1950 inicia-se a construção de um conceito para Responsabilidade Social, pode-se dizer que a ênfase dada em Responsabilidade Social passava pela pessoa do empresário (administradores, proprietários ou gerentes), como sendo os responsáveis pelos planos de negócios e que deveriam incluir uma agenda de atividades cujas ações beneficiariam a comunidade (DUARTE, 1985 e CARROLL, 1999).
Numa época marcada por duas guerras mundiais e conseqüentes mudanças sócio-político dos Estados, este também implicou na reconstrução de fundamentos de uma nova economia. Após a crise da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, John M. Keynes com sua teoria sobre capitalismo institui Welfare State – como sendo o bem estar social em todos os setores básicos do Estado para o desenvolvimento do bem estar Social.
A primeira literatura sobre Responsabilidade Social Empresarial surgiu no Estados Unidos nas primeiras décadas de 1900. Os trabalhos consistiam basicamente na importância das ações das empresas em oferecer bens de serviços para promover o bem estar social, bem como sugeriram essencialmente que a administração fosse orientada pela noção sistêmica de bem estar social, como Oliver Sheldon publicou em The Philosophy of Management de 1923 (apud DUARTE, 1985).
Nos anos 60 surge a tentativa de expansão do conceito para Responsabilidade Social na Europa, houve a necessidade de mudanças na atuação das empresas em razão do surgimento de empresas multinacionais e com elas reivindicações de classes operárias que mais tarde deram início aos movimentos sindicais. Muitos autores atribuíram às empresas a responsabilidade de se organizarem para atender de forma ampla o sistema social além dos interesses econômicos e propôs que a responsabilidade social não seria mais atribuída ao gestor ou administrador mas, toda a organização que caracterizou o surgimento de Responsabilidade Social Corporativa.
À medida que as transformações sociais foram ocorrendo, os autores ampliaram o escopo do conceito de responsabilidade social numa tentativa de atender holisticamente às demandas do contexto socioambiental. Neste contexto, a inclusão da ética, bem como o bem estar dos funcionários marcaram o momento em que a sociedade se fragmentava cada vez mais, adquirindo novos padrões e valores como o relacionamento entre instituições.
Na década de 1970 se expande ainda mais o conceito acerca de responsabilidade social provocando novas inclusões. O debate central ficou em torno do meio ambiente iniciado na Europa sob argumentação da atuação de empresas mineradoras propiciando o autor como Harold Johnson (1971) apresentar quatro concepções acerca de Responsabilidade Social. A primeira intitulou “sabedoria convencional” afirmando que a empresa deve compartilhar e realizar os interesses de todos aqueles que fazem parte direta ou indiretamente do plano de negócios, seja dos funcionários e colaboradores, dos fornecedores, e de toda comunidade que permeia pela organização vinculada à atividade principal da empresa. A segunda concepção é a conciliação entre responsabilidade social e lucro, ou seja, em toda e qualquer ação social existe a perspectiva de retorno econômico, pois na visão do autor os acionistas valorizam esta política. Terceiro, o autor entende que a organização não existe para atender apenas suas demandas, pois depende também da sociedade para alcançar seus objetivos e que suas ações devem contextualizar fortemente o bem estar coletivo dentro e fora da empresa. Quarto e último, diz respeito que se a empresa está motivada e orientada para lucratividade e conseqüente crescimento, pode desenvolver e investir em ações de comportamento socialmente responsável.
Carroll (1979) também trouxe uma nova luz conceitual à responsabilidade social por meio de quatro premissas básicas. A primeira refere-se que a organização tem responsabilidade em vender produtos ou prestar serviços que a sociedade deseja. Segundo, espera-se que a organização atue em mercados respeitando a lei. Terceiro, refere-se ao compromisso com a ética e quarto, os administradores de empresas devem criar programas de incentivo de recuperação do meio ambiente e bem estar social.
A década de 1980, foi marcada pela crise do petróleo e uma época em que a Inglaterra passava por um longo processo de desestatização da economia, tendo de vez o Estado abandonado seu papel de gestor dos principais setores como telecomunicações, energia elétrica entre outros. Este contexto trouxe um apelo muito forte de responsabilidade social para as empresas em razão da complexidade em gerenciar programas de cunho econômico e responder às demandas sociais.
Na visão de Drucker (1994) a responsabilidade social deveria ser vista como uma oportunidade de negócios, tornando os investimentos em ações socioambientais como perspectiva de lucratividade ainda que fosse em longo prazo e que o negócio e bem estar social além de indissociáveis são a base para a manutenção da reputação da empresa. Drucker (1994) examina a Responsabilidade Social como uma área onde a empresa decide qual será seu papel na sociedade, estabelece seus objetivos sociais, suas metas de desempenho e de influências na sociedade onde atua. A grande função do empreendedor é perceber a essência da responsabilidade que tem nas mãos, em função da sua autoridade. Suas decisões podem envolver desde o lançamento de um simples produto até a transformação de um problema social em um excelente novo produto, uma excelente oportunidade de ganho ou de investimento para a empresa.
Por volta da década de 1990 o mundo presenciou mudanças sistêmicas que provocaram fortes transformações sociais no mundo do trabalho tais como; globalização da economia, instabilidade social, política-econômica, enxugamento das grandes organizações, flexibilização, downsizing, fusões e aquisições de empresas, desemprego, enfraquecimento dos sindicatos e degradação das condições de trabalho. Se de um lado o capital era intenso, do outro, o mundo trabalho estava enfraquecido, tendo como conseqüência o surgimento de tensões e contradições em torno da valorização das pessoas e concomitantemente a informalidade, desemprego, terceirização e sub-contratação.
O surgimento de programas de qualidade total e reengenharia marcaram uma época em que as empresas buscavam a internacionalização dos negócios como meio de competitividade para sobrevivência de modo que as dimensões da responsabilidade social empresarial estariam totalmente em função dos lucros das empresas, pois sem os mesmos não poderiam investir em programas sociais (CARVALHO, 2002).
Especialmente nos últimos 5 anos o tema responsabilidade social corporativa vem sendo alvo de inúmeros debates no meio acadêmico e empresarial. Mais recentemente, observa-se uma transformação no próprio conceito: de uma concepção antes baseada na caridade e no altruísmo, para uma associação entre responsabilidade social e estratégia empresarial. Em outras palavras, atuar como organização transformadora da sociedade pode ser considerado pelas empresas como importante fonte de vantagem competitiva.
Há dois enfoques principais acerca da responsabilidade social. A visão econômica clássica, amplamente difundida por Friedman (Ashley et al. 2005), postula que a empresa socialmente responsável é aquela que busca sempre responder às expectativas de seus próprios acionistas, maximizando o lucro e questiona a existência da responsabilidade social corporativa, argumentando que, numa sociedade democrática, o Governo é o único veículo legítimo para tratar de questões sociais. As empresas não deveriam fazê-lo, pois estariam se distanciando de sua expertise.
Por outro lado, a visão socioeconômica defende o papel da organização na promoção do bem-estar social, com objetivos mais amplos do que a obtenção de lucros corporativos e geração de empregos, sem contudo ignorá-los. Alguns de seus princípios são: foco nos lucros de longo prazo para o negócio; obtenção de melhor imagem junto à sociedade e menor regulamentação governamental para o negócio; incorporação de maiores obrigações sociais para o negócio; promoção de melhor ambiente para todos. De acordo com esta abordagem, a empresa estará cumprindo sua responsabilidade social na medida em que proporcionar uma melhora nas condições de vida da sociedade.
Ashley et al. (2005) consideram que a responsabilidade social engloba toda e qualquer ação da empresa que possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. Segundo estes autores:
Responsabilidade social pode ser definida como o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que afetem positivamente de modo amplo, ou a alguma comunidade de modo específico, agindo proativamente e coerentemente no que tange a seu papel específico na sociedade e a sua prestação de contas para com ela.
Davis (apud GUIMARÃES, 1984) argumenta que a responsabilidade social da empresa deriva justamente de seu grande poder social. Este autor aponta a importância do papel das empresas na sociedade, considerando que as decisões empresariais têm amplas conseqüências sociais e que, portanto, não podem ser tomadas unicamente motivadas por fatores econômicos. Este autor admite que estas decisões e a implementação das ações delas derivadas poderão gerar custos, que poderão ser assumidos pelos próprios consumidores. Sendo assim, os gastos com a implementação de práticas de responsabilidade social corporativa poderão ser adicionados ao preço final dos produtos ou serviços vendidos por estas corporações. No entanto, há carência de pesquisas que mostrem até que ponto os consumidores estão dispostos a assumir estes custos, e os resultados existentes são conflitantes. Alguns estudos mostraram que os consumidores estariam dispostos a pagar mais por produtos de empresas socialmente responsáveis (CREYER; ROSS, 1997; PEIXOTO, 2004), enquanto outros estudos mostraram que a responsabilidade social corporativa não exerce papel importante na decisão de compra e que, portanto, os consumidores não estariam dispostos a pagar a mais por isto.
Oliveira (1984) amplia o debate sobre o tema, propondo visões diversas sobre a forma de atuação das empresas na sociedade. Segundo ele, a responsabilidade social corporativa pode ser vista de diferentes formas: como comportamento empresarial pautado por uma orientação ética, como ações filantrópicas, ou, ainda, como responsabilidade legal ou obrigação social que a empresa deve ter.
Após o conceito de Responsabilidade Social Corporativa ter passado por varias transições em detrimento de épocas em que a sociedade, bem como as organizações buscavam ajustar seus interesses, Carroll (1991) sugeriu quatro dimensões de RCS (econômica, legal, ética e discricionária) como um dos modelos mais presentes na atualidade. Para Carroll (1991) a empresa socialmente responsável é aquela que, na busca por maximizar os efeitos positivos sobre a sociedade e minimizar os negativos, considera dimensões legais, econômicas, filantrópicas e éticas. Unindo o enfoque clássico e o socioeconômico, destaca que a responsabilidade social se desdobra nestas quatro dimensões. A dimensão legal refere-se ao cumprimento de leis e aos assuntos regulatórios, a dimensão econômica destina-se aos interesses dos acionistas, uma vez que a empresa mantém esforços em garantir o retorno de seus papeis e ao mesmo tempo contribui pra o social do emprego e da mão obra assalariada. A dimensão ética consiste em princípios e padrões morais, comportamento íntegro, certo e justo pela sociedade. Preservação do meio ambiente, investimentos em educação e donativos para obras de caridade são algumas demandas sociais que a empresa cumpre com sua responsabilidade filantrópica.
A adoção da responsabilidade social corporativa harmoniza-se com a percepção de que a empresa é responsável pelas conseqüências sociais de suas ações. Isto funciona, na prática, como uma filosofia da organização, crença que deve guiar todas as suas ações e decisões, desde o princípio de suas operações. Neste contexto, zelar pela lucratividade e sobrevivência da empresa faz parte de sua responsabilidade social (dimensão econômica) e não há hierarquia de valores entre as já citadas dimensões da responsabilidade social. Carroll (1991) defende que, no contexto atual, uma empresa que pauta suas ações pela responsabilidade social corporativa em todas as suas dimensões tende a incrementar sua lucratividade e aumentar suas chances de sobrevivência de longo prazo.
A partir do ano 2000 houve um crescimento exponencial de artigos em eventos científicos (ENANPAD) que contextualizam a responsabilidade social corporativa de forma mais ampla permitindo a inclusão de novas categorias tais como: sustentabilidade e gestão stakeholders. A gestão de stakeholders tem por finalidade contribuir para o desenvolvimento e atender às expectativas de todos os atores internos e externos da organização, neste sentido faz parte os fornecedores, clientes, funcionários, comunidade, governos, acionistas e sociedade.

Brown em 1980 foi considerado um dos precursores ao falar de sustentabilidade nas organizações, no entanto, a sustentabilidade ganha destaque somente a partir do ano 2000 que consiste que as ações das organizações do presente não devem comprometer o bem estar socioambiental de gerações futuras. A organização que pratica sustentabilidade tem a capacidade de prever em suas ações alguma forma de agressão ao meio ambiente e promover programas e recursos de recuperação e preservação do mesmo.

2.2 - Cultura Organizacional e Responsabilidade Social

A cultura de uma organização é uma maneira informal e compartilhada de perceber a participação na organização, que mantém os seus membros unidos e influenciam o que pensam sobre si mesmos e seu trabalho. A cultura organizacional serve como uma fonte de significados comuns para explicar por que as coisas acontecem do modo como acontecem de modo que a cultura organizacional reforça comportamentos persistentes e coordenados de trabalho. No cerne da cultura de toda organização existe um conjunto de normas e valores que moldam os comportamentos dos membros e os ajudam a entender as ações da organização. Essas normas e valores são a fonte de percepções, pensamentos e sentimentos comuns que constituem a cultura de uma organização.
Segundo Wagner e Hollenbeck (2004), a cultura organizacional influencia a organização a modelar a maneira como os funcionários percebem e reagem a cargos formalmente definidos e aos arranjos estruturais. Neste sentido, a cultura não só influencia as atitudes tomadas pelos funcionários mas, também comportamentos motivados pela valoração coletiva de símbolos e crenças.
Para Ashley et al. (2005), a responsabilidade social corporativa tem sua interpretação condicionada pela cultura organizacional, uma vez que os valores culturais são significados e regras de interpretação da realidade, estruturas cognitivas e simbólicas que determinam o contexto no qual o ser humano, sendo sempre social, pensa e age. São aqueles que imprimem sentido a tudo que se faz, às estratégias que se adotam e àquilo que gera consenso, seja dentro de um grupo social, na sociedade como um todo ou dentro do trabalho das organizações. Ashley et al. (2005) argumenta que a dimensão cultural é essencial para entender as formas de responsabilidade social corporativa, a noção de responsabilidade social se traduz em valor cultural cada vez mais aceito comumente empregado ao redor do mundo, principalmente como conseqüências das atuais mudanças no modo como se concebe o papel social da empresa perante a sociedade.
Para Ashley et al. (2005), os desafios para a responsabilidade social corporativa consistem em a organização compartilhar uma visão a todos os indivíduos o sentido e os ganhos de ações socioambientais, ponderar o poder de compra e consumo dos indivíduos das organizações como fomentador de um mercado responsável e formação contínua de profissionais para uma sociedade mais sustentável, proporcionando a consciência de que o negócio sem o viés social não se promove um mundo melhor.

3 - Cadeia de valores e Responsabilidade Social na visão de Michael Porter

Porter, (1986) defendeu que a competição não depende exclusivamente da atuação dos concorrentes, sendo que o grau de rivalidade é conseqüência de cinco forças competitivas básicas que ele denominou “forças que dirigem a concorrência na indústria: rivalidade entre as empresas existentes, ameaça de novos entrantes, ameaça de produtos substitutos, poder de negociação dos fornecedores e poder de negociação dos compradores”. Ocorre que tais forças, além de determinarem o grau de concorrência em uma indústria, também influenciam o retorno sobre os investimentos realizados pelas empresas, e têm elevada importância no processo de definição de estratégias. Todas estas forças influenciam e também são influenciadas por todas as empresas da indústria, entretanto, aquela que identificar as origens de tais forças e assim influenciá-las a seu favor, poderá usufruir melhores posições no setor, o que será traduzido em maiores retornos.

Cadeia de Valores

Ainda em seu trabalho, Porter procura identificar as fontes de vantagem competitiva da empresa, utilizando o modelo da cadeia de valor como forma de análise sistemática de todas as atividades executadas por uma empresa, assim como o modo que elas estão ligadas entre si ou às atividades de outras empresas (fornecedores, canais de distribuição, consumidores finais, etc). Toda empresa é uma reunião de atividades que executadas para projetar, produzir, comercializar, entregar e sustentar seu produto. Todas estas atividades podem ser representadas, fazendo-se uso de uma cadeia de valores. A cadeia de valores de uma empresa é o modo como ela executa atividades individuais e são um reflexo de sua história, de sua estratégia, de seu método de implementação de sua estratégia, e da economia básica das próprias atividades. Atividades de valor podem ser dividias em dois tipos gerais, atividades primárias e atividades de apoio. As atividades primarias, relacionadas à logística interna e externa , operações, marketing e vendas e serviços – são atividades envolvidas na criação física do produto e na sua venda e transferência ao comprador, bem como na assistência pós venda. As atividades de apoio sustentam as atividades primárias e a si mesmas, fornecendo insumos adquiridos, tecnologia, recursos humanos e várias funções ao âmbito da empresa. Porter, (1986) procura descrever o modo como uma empresa pode obter uma vantagem de custo sustentável ou diferenciar-se de seus concorrentes e pretende, assim, responder “Por que empresas de uma mesma indústria apresentam diferenças de rentabilidade sustentáveis em longo prazo?”.
Identifica Porter (1986) três estratégias que a administração pode escolher: liderança de custo, diferenciação e enfoque. A escolha dependerá das forças da organização e das fragilidades dos concorrentes. Segundo o autor, deve-se evitar uma posição na qual tenha de bater todo mundo em seu ramo de atividade. O objetivo deve ser o de colocar a força da organização onde a concorrência esteja. Quando uma empresa se dispõe a ser produtor de baixo custo em seu ramo, está adotando uma estratégia de liderança de custo, quando a organização busca ser a única em seu ramo mediante procedimentos amplamente valorizados pelos clientes está adotando uma estratégia de diferenciação e finalmente quando uma organização visa uma vantagem de custo ou diferenciação em um segmento estreito está adotando uma estratégia de foco (segmentação).
Para Porter (1986), desenvolver uma estratégia competitiva é determinar a maneira como uma organização irá competir, suas metas e políticas para realizá-las. Para desenvolver uma estratégia competitiva é preciso relacionar a organização com a sua indústria, a fim de que se possa compreender a concorrência e identificar as características estruturais que possibilitam a formulação de estratégias para a obtenção da vantagem competitiva. Segundo Porter, a escolha de uma estratégia competitiva baseia-se em dois aspectos importantes: na atratividade da indústria em termos de rentabilidade; e na posição competitiva da empresa na indústria. Esses dois aspectos são dinâmicos e mutáveis, visto que a escolha de uma estratégia competitiva pode tornar uma indústria mais ou menos atrativa, como também pode alterar a posição de uma empresa dentro da indústria. Portanto, a estratégia competitiva deve responder ao meio ambiente da empresa, bem como tentar moldar esse meio ambiente a seu favor.
Porter (2006), analisa a integração da Responsabilidade Social com a estratégia empresarial e vantagem competitiva. Afirma que as atitudes de Responsabilidade Social devem ser reativas às exigências legais e sociais, e inclusive filantrópicas. Porter recomenda a definição de uma pauta estratégica proativa que potencialize a relação com os elos da cadeia de valor. Ou seja, uma ação socialmente responsável que estimule uma vantagem competitiva, onde o desafio seja promover a relação Responsabilidade Social e lucro como coexistentes, e não excludentes. Porter (2006), defende quatro justificativas prevalecentes para responsabilidade social coorporativa:
Obrigação Moral: Obter sucesso comercial de maneira que promova os valores éticos, buscar variação nos valores pessoais dos gerentes e demais partes envolvidas.
Sustentabilidade: Atender os requisitos do presente sem comprometer os requisitos do futuro. Mais eficaz nas questões ambientais em que melhorias podem produzir benefícios econômicos imediatos.
Licença para Operar: Gerar boa vontade para obter a adesão de governos e outras partes envolvidas. O cumprimento da lei, licenças e alvarás necessários que inclusive cedem controle do programa de responsabilidade social coorporativa.
Reputação: Fortalecer a reputação e a marca perante clientes, investidores e funcionários. Oferecer vantagem competitiva sustentada, enfatizar o impacto social das atividades da empresa.
Segundo Porter (2006), o papel das empresas não dá conta de resolver todos os problemas sociais, nem arcar com os custos de fazê-lo, apenas devem encarar sua agenda social de maneira proativa e estratégica. Neste sentido, as empresas devem contribuir para a sociedade e para as questões sociais onde puderem agregar o máximo valor.
Porter (2006) argumenta que as ações sociais devem ser iniciadas através da cadeia de valor da organização - de dentro para fora, pois toda atividade da cadeia de valor atinge as comunidades dos locais onde a empresa opera provocando impactos positivos ou negativos.
A responsabilidade social coorporativa vista como o processo de tomada decisão estratégica proposto por Porter (2006), estabelece que a empresa deve identificar que impactos sociais seus negócios geram e prover meios apropriados que traduzam em programas que contribuam significativamente para a sociedade ao mesmo tempo em que aumenta a competitividade do negócio no longo prazo, criando uma dimensão social para a proposição de valor.

4 – Metodologia

Estudo de Casos Múltiplos
O estudo de caso é uma descrição e explicação objetiva abrangente dos muitos componentes de uma determinada situação social. Num estudo de caso deve-se buscar a coleta e exame o máximo de dados possíveis sobre o tema de interesse.
A metodologia de estudo de caso vem sendo utilizada com freqüência nos meios acadêmicos. Ela é uma das maneiras de se fazer pesquisa em ciências sociais, assim como os experimentos, levantamentos e pesquisas históricas.
Neste trabalho o estudo de casos múltiplos é descritivo, ou seja, o objetivo é basicamente descrever uma situação com profundidade, buscando ilustrar e dar realismo a ela, pela maior quantidade de dados e informações coletadas (Yin, 2001). Conforme o explicitado acima, evidencia-se o método do Estudo de Caso como uma estratégia para se conduzir uma pesquisa empírica, exigindo uma preparação prévia por parte do pesquisador e a organização de um planejamento da pesquisa.
Para atingir o objetivo do presente estudo a coleta de dados desta pesquisa foi realizada a uma amostra intencional de empresas do setor de eletroeletrônicos. Pretendeu-se verificar se as ações socioambientais fazem parte ou não da estratégia para criação de vantagem competitiva. Assim, o desenho da pesquisa foi delineado considerando o estudo de três pressupostos:

- Reputação da Empresa – (RE)
- Lucratividade - (LC)
- Obrigação Legal – (OL)

Reputação da Marca

A reputação da marca pode ser vista de várias maneiras pelos consumidores, pelos investidores, fornecedores dentre elas podem ser destacadas sob a dimensão das ações marketing e ações socioambientais. Neste contexto, o emprego da Responsabilidade Socioambiental como vantagem competitiva pode servir para a empresa compensar eventuais danos provocados por ela ao meio socioambiental ou tornar público que a mesma não só incentiva as campanhas socioambientais como também as promovem de forma proativa. A percepção que se tem da imagem de uma empresa por meio do stakeholders pode ser fundamental para o sucesso da empresa, haja vista, que principalmente os investidores e consumidores são agentes fomentadores do negócio da empresa.

Lucratividade

Uma empresa só investe quando, no seu processo de acumulação, adquire condições de aplicar recursos, pois isto vai depender da lucratividade da empresa, isto é, dos ganhos que se podem conseguir dentro da atividade econômica, de acordo com o desenrolar de toda sua atividade, em termos de eficiência do capital e do processo de administração que é aplicado na empresa. A lucratividade pode ser confirmada por meio de ações socioambientais de empresas que o consumidor não só valoriza, mas que influência o seu comportamento de compra na hora de decidir entre uma marca que promove ou não o bem estar socioambiental. Segundo, BELENKY, 2006, 15% dos consumidores no Brasil deixam de comprar um produto ou falam mal de uma empresa que tenha prejudicado de alguma forma o ambiente e sociedade na qual está inserida. Na Austrália, o percentual é de 51%, nos Estados Unidos, de 42% e na Alemanha, de 42%. Serpa e Forneau, (2007) afirmam por meio de uma pequisa sobre a percepção do consumidor acerca de RSC que consumidores não comprariam produtos de empresas que praticam atividades econômicas não condizentes com a saúde social do Brasil, que agridam o meio ambiente ou produtos testados em animais.

Obrigação Legal

A obrigação legal, tem menos haver com estratégia. Deve-se à reação da empresa frente às exigências regulatórias como meio de manter uma empresa viável para a sociedade e o meio ambiente. Neste contexto, estão reunidos cinco exigêngias como parte da gestão ambiental em indutrias conforme capítulo VI, da Constituição Federal de 1988, em seu único artigo – art. 225:
• Minimização do desperdício de água na produção;• Minimização do desperdício de energia por unidade de produção;• Minimização das perdas de matéria-prima por unidade de produção;• Minimização da geração de resíduos; e• Minimização da poluição
Não foi considerado como um quarto pressuposto a prática de responsabilidade socioambiental como sendo ação exclusiva e altruísta da empresa. Ainda que este pressuposto possa ser verdadeiro, ela só poderia ser evidenciada por meio de algum ganho subjacente que pudesse refletir a reputação da marca ou lucratividade. Do contrário, a hipótese de uma empresa investir em ações socioambientais sem qualquer perspectiva de retorno além do contexto social, pode levar a empresa à descentralização de esforços financeiros e operacionais permitindo seu modelo de negócio ser menos competitivo e sustentável.

4.1 - Construção do Questionário

A técnica de pesquisa utilizada foi o questionário – que para Blaxter (1996) é uma das técnicas de pesquisa social mais amplamente usadas. Moscarola (1990, p. 105 apud FREITAS et al, 2000) recomenda a elaboração do questionário levando em conta níveis de assertivas que contextualizam o tema:
a) Elaboração de três níveis de assertivas, destinada a cada pressuposto da pesquisa
b) Inserção de títulos para cada nível
c) Mensuração através de escala Likert (escala freqüência verbal)
O questionário contou com 4 questões abertas qualificadoras acerca da importância da responsabilidade social corporativa, 5 questões de múltipla escolha e 11 assertivas do tipo escala freqüência verbal. O formato de uma escala de freqüência verbal (também designada por avaliação de freqüência) é muito semelhante ao de uma escala de Likert com duas exceções: a) mais do que a intensidade do grau de concordância com uma afirmação, a escala de freqüência verbal apresenta palavras que indicam a freqüência com que uma dada variável ocorreu e b) em vez de apresentar afirmações sobre um dado tópico, os itens de uma escala de freqüência verbal devem referir-se à ações ou comportamentos específicos realizados pelos respondentes (ALRECK & SETTLE, 1995, p. 119-120).

Empresas estudadas
A amostra foi definida intencional por julgamento, ou seja, uma amostra não probabilística, mas que atende a critérios pré-definidos (COOPER E SCHINDLER, 2001, p 169). Os critérios de seleção e composição da amostra são: ser empresa do setor de eletroeletrônicos e desenvolver ações socioambientais.
A indústria eletroeletrônica encerrou 2008 com faturamento de R$ 123,7 bilhões, dos quais 14,7 bilhões do setor de eletrodomésticos que representa uma alta de 11% sobre a receita do ano de 2007, de acordo com a divulgação pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).Para se atingir empresas que atendam a estes critérios, foram convidadas a participar duas empresas que praticam alguma atividade referente à responsabilidade socioambiental. Em razão do fato de não ter sido autorizado a divulgação dos nomes das empresas, estas serão representadas da seguinte forma:

· Empresa A
· Empresa B

Estima-se que o montante de faturamento das duas empresas é R$ 5 bilhões e que juntas representam aproximadamente 34% de participação de mercado.

5 - Resultados e análise da pesquisa

Empresa A - A entrevista foi realizada por meio do assessor de sustentabilidade no dia 31/07/2009 no prédio da empresa em São Paulo. O assessor além de demonstrar receptividade à minha visita, afirmou ter interesse pela pesquisa e que a Empresa A apóia as iniciativas de instituições de ensino que promovem efetivamente o desenvolvimento educacional de alunos além de incentivos à produções acadêmica e científica.

Empresa B - A entrevista foi realizada por meio do vice-diretor no dia 03/08/2009 e demonstrou-se receptivo à pesquisa e, em âmbito geral disse ver a Responsabilidade socioambiental como um processo contínuo de melhorias em que o governo deverá criar uma agenda para fomentar principalmente a comunidade empresarial e o sistema educacional para progredir mais nesta área.

Limitações encontradas

Com base no referencial teórico e própria evolução conceitual acerca da Responsabilidade Socioambiental, este trabalho não aborda a questão da ética nas empresas. Neste sentido medir e avaliar a concepção da ética nas empresas permite o incurso na valoração moral, do certo ou errado, embora a perspectiva da ética tenha seu valor na reputação da empresa e conseqüentemente no lucro, novas pesquisas acerca deste tema podem avançar os estudos a que este trabalho se propôs.
Outra limitação também atribuída a este trabalho pode ser vista por meio das respostas das questões abertas, levando a crer que sua formulação teve o embasamento mais na intenção ou opinião dos respondentes do que efetivamente em práticas consolidadas pela empresa.


Perfil das empresas

Empresa A
A Empresa A é uma empresa com aproximadamente 120 anos de existência sediada na Holanda que atua em segmentos da saúde, eletroeletrônicos e iluminação. Atua em mais de 60 paises com vendas em torno 26 bilhões de euros em 2008. No Brasil as vendas giram em torno de 5% das vendas globais, atua fortemente no desenvolvimento de equipamentos para cuidados da saúde, soluções para iluminação, TV de tela plana, aparelhos portáteis para entretenimento entre outros.
As primeiras ações da Empresa A para promover o bem estar social no Brasil deram início em 1998 por meio de intenções filantrópicas. Em 2001 no Brasil foi criado o departamento de responsabilidade social cujas atividades socioambientais e uma maior preocupação com o meio ambiente, promoveram no ano seguinte a mudança para Sustentabilidade. Partes das ações socioambientais deram grandes avanços e conquistas na cadeia de valores da empresa propiciando num intenso diálogo com os stakeholders a começar pelos seus fornecedores criando uma agenda de compromissos e requisitos por meio de processos de seleção e qualificação onde os mesmos seriam reconhecidos não apenas como parte integrante de todo o processo fabril da Empresa A, mas também como agentes efetivos no desenvolvimento e bem estar socioambiental.

Principais Ações Socioambientais

Produtos com eficiência energética
· Iluminação; economia significativa de energia, custos e emissão de CO2 por tecnologias mais modernas.
Responsabilidade Individual
· Recursos Humanos; melhorando a qualidade vida dos colaboradores por meio da diversidade e inclusão, conscientização, segurança do trabalho e promoção do bem estar.
Responsabilidade Ambiental
· Produtos verdes, criação de uma agenda de compromissos desde 1970. Gerar 30% do faturamento total da empresa por meio de produtos verdes, até 2012. (em 2006, eram 15%)
Responsabilidade econômica
A Empresa A vem melhorando sua performance Dow Jones Sustainabily World Index DJSI - nos últimos quatro anos. O DJSI foi Criado em 1999, é composto por ações de empresas de reconhecida sustentabilidade corporativa, "o que significa dizer que são empresas capazes de criar valor para os acionistas no longo prazo, por conseguirem aproveitar oportunidades de negócios e também gerenciar os riscos associados a fatores econômicos, ambientais e sociais".
Responsabilidade Social
· Projetos sociais; jovens - DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis
· Parcerias com ONGS, visitação á hospitais (contadores de histórias)
· Redução de violência familiar (grupos indígenas)
· Escolas de Informática pela inclusão digital entre outros

Empresa B

A Empresa B desenvolve e fabrica produtos eletrônicos, atendendo a uma ampla faixa de consumidores, empresas e indústrias. Com sede em Osaka, no Japão, a empresa registrou vendas líquidas consolidadas no valor de US$ 77,19 bilhões, no ano fiscal que terminou em 31 de março de 2007.
A Empresa B iniciou suas atividades no Brasil em 1967, com a importação e comercialização de pilhas. A empresa comercializa uma variada linha de produtos no segmento de Pilhas, Baterias Especiais e Eletroeletrônicos de avançada tecnologia como componentes industriais, Telefonia, PABX, Circuito Fechado de TV, Automatização Industrial, Broadcasting (filmadoras profissionais), produtos digitais da linha de Consumo e System, entre outros produzidos pelo grupo no exterior.
A Empresa B possui certificação ISO 14001, apóia parceiras da ONG Amazon Rainforest Foundation Japan (RFJ) em projetos de defesa aos interesses, cultura e direitos indígenas, iniciativa que começou no Japão há 15 anos, bem como parceria com a SOS Mata Atlântica para o plantio de 15.000 mudas de árvores de espécies nativas da Mata Atlântica no programa Florestas do Futuro, contribuindo assim para o reflorestamento de cerca de 9 hectares ou o equivalente a 11 campos de futebol
Devido a participação de duas empresas na pesquisa não foi possível fazer uma análise quantitativa dos resultados, tendo em vista que a qualidade das questões e assertivas estiveram pautadas em práticas e opiniões dos respondentes e que os resultados, bem como análise foram discorridas na ordem seqüencial.
As questões qualitativas podem apontar para qualquer um dos pressupostos. O que se percebe é que a estratégia da Empresa A dimensiona mais efetivamente ações socioambientais comparadas com as ações da Empresa B.
Fica evidente essa afirmação quando comparamos as duas respostas no que se refere ao questionamento se a Responsabilidade Socioambiental cria vantagem competitiva. Neste sentido, a Empresa A afirma que a Responsabilidade Socioambiental cria vantagem competitiva e que o desempenho econômico de empresas com práticas de Responsabilidade Socioambiental demonstram ser superiores à empresas que não possuem, ou que não são tão abrangentes aos negócios da empresa. Por sua vez, a Empresa B não apresentou índicos que a Responsabilidade Socioambiental cria vantagem competitiva e afirmou que as ações socioambientais da empresa assumem apenas compromissos legais não tendo a intenção de superá-las. No entanto, as duas empresas afirmam que o investidor é o agente que mais possui influência na política e processo de gestão acerca Responsabilidade Socioambiental o que confirma em partes o interesse pela lucratividade e reputação da empresa.
Sobre o fato de que performance econômica-financeira de empresas sustentáveis ser superior às empresas que não praticam ações socioambientais, não pode se comprovada somente por meio de indicadores de sustentabilidade. É necessário que se faça um estudo entre empresas de um mesmo segmento e outras variáveis de desempenho além da sustentabilidade.

Comportamento do Consumidor acerca de Responsabilidade Sociombiental

A Empresa A por meio de pesquisas internas identificou uma forte tendência dos consumidores pela preferência de produtos de empresas que praticam ações socioambientais. Tal fato pode ser uma das principais razões pela qual a Empresa A assume uma postura estratégica mais ativa sobre a sustentabilidade. Na visão do assessor de sustentabilidade da Empresa A, a sustentabilidade tende a ser uma commodities futuramente e seu emprego será uma questão de sobrevivência. Sob este contexto, cabe ressaltar que a sustentabilidade talvez leve muito mais tempo a ser absorvida como um modelo de gestão - padrão nas empresas, a exemplo do que aconteceu nos anos 1980 com a ISO- 9001. Isso se deve ao fato de que a sustentabilidade traz o beneficiamento mais coletivo e indireto ao consumidor do que o sistema ISO-9001.
Empresas que aderiram ao sistema ISO-9001, além de terem perspectivas de grandes saltos de qualidade em âmbito geral, buscavam ser mais competitivas, enquanto que o consumidor ao adquirir produtos de tais empresas, literalmente se beneficiavam por meio dos atributos e benéficos do produto. Já a sustentabilidade traz benefícios indiretos e coletivos sob perspectivas da ética, da sociedade e ambiente e talvez pouco funcional inerente ao produto.
Portanto, a adoção pela Responsabilidade Socioambiental ou Sustentabilidade pela empresa tende a não caminhar no mesmo ritmo que o sistema ISO, tendo em vista o comportamento do consumidor tende a valorizar mais as ações de empresas para benefícios próprio e direto.
A Empresa B não realiza pesquisas ao consumidor, porém, a empresa dá enfoque à comunicação das ações socioambientais e que na fala do seu vice-diretor; o comportamento do consumidor passa pela lembrança e experiência. Se o consumidor não tem consciência das ações socioambientais, provavelmente não terá condições de diferenciar um produto do outro em ocasiões que os mesmos possuem características similares. No entanto, não foi identificado que práticas de comunicação são utilizadas pela Empresa B para manter o consumidor informado sobre as práticas socioambientais e que o site da empresa não disponibiliza relatórios de sustentabilidade no idioma português.

Principais dificuldades para implementar a responsabilidade socioambiental

As principais barreiras encontradas para implementação das ações socioambientais segundo os respondentes, foram a educação dos colaboradores em razão da falta de um consenso teórico e empírico de Responsabilidade socioambiental e carga tributaria imposta pelo governo, bem como infra-estrutura em aterros sanitários. A sustentabilidade para Empresa A é um processo contínuo de inovações e aprendizagem e, portanto, necessita que seus colaboradores estejam alinhados aos objetivos da organização a todo tempo. Os modelos de gestão acerca responsabilidade socioambiental predizem mais cuidados com a segurança do colaborador (individual), e o que a organização faz para minimizar os efeitos nocivos ao ambiente causados pelas suas atividades. No caso da Empresa A, algumas ações socioambientais inerentes ao negócio da empresa superam as exigências legais e vem se estruturando para aprimorar os processos de reciclagem, tema que atualmente além de estar presente na empresa, está criando uma agenda de compromissos cujo envolvimento de fornecedores passa ser fundamental para realização dos objetivos acerca de sustentabilidade.

Os Benefícios da responsabilidade socioambiental

Dentre as empresas pesquisadas, a Responsabilidade Socioambiental tem promovido algum tipo benefício para as empresas, entre elas se destacam como diferencial competitivo, reputação da marca, capacidade de atrair talentos, redução do uso de produtos tóxicos e em especial para Empresa A, estar capacitada para o enfrentamento de desafios globais. Pôde-se afirmar que esses benefícios justificam os esforços da empresa em promover ações socioambientais de tal forma que a reputação da marca, por exemplo, pode estar em função dos indicadores de sustentabilidade na mente do consumidor, as competências necessárias podem ser atraídas pelo orgulho de pertencer a uma empresa que transmita respeito, segurança, transparência e que contribui pelo desenvolvimento e bem estar socioambiental.
Os benéficos da Responsabilidade Socioambiental devem variar de acordo com o nível de maturidade da cultura da empresa pelo socioambiental, da disponibilidade de investimentos, do quanto o negócio impacta o ambiente e até que ponto a empresa está disposta a lidar com a concorrência por meio da sustentabilidade . Espera-se que se a RSC cria vantagem competitiva é esperado um retorno, retorno este que pode ser traduzido de várias formas, dos quais os mais importantes podem ser vistos no momento por meio da reputação da imagem a curto e médio prazo ou sobrevivência em longo prazo.
Os investimentos mais comuns dentre as empresas pesquisadas estão em tecnologia e desenvolvimento de produtos. Há um intenso esforço da Empresa A em desenvolver tecnologias mais sustentáveis de produto. Prova disto é seu compromisso em gerar 30% do seu faturamento por meio de produtos verdes. Os produtos verdes são aqueles que se enquadram em pelo menos um dos itens abaixo:
a) Redução de consumo de energia
b) Redução de embalagem
c) Redução de substancias tóxicas
d) Redução de peso
e) Reciclagem e descarte final
f) Vida útil
Os indicadores de desempenho a acerca de responsabilidade socioambiental apresentados apontam que ambas as empresas atendem às demandas ambientais, como economia de consumo de água e energia elétrica, isso pode ser influenciado pelas obrigações legais ou ao fato de que é também vantagem para empresa reduzir seus custos. Os indicadores acerca de aquisição de materiais ou insumos de produção sustentáveis também estão presentes nas empresas o que confirma que partes dos investimentos se concentram em tecnologia e desenvolvimento.
As principais ações socioambientais das empresas têm sido realizadas por meio de intensa participação de fornecedores e parceiros o que vem confirmar a teoria porteriana no que diz respeito à importância dada pelo autor em promover ações de RSC por meio da cadeia de valores.

Análise das práticas acerca das ações socioambientais

Com base nas práticas apuradas pôde-se se dizer que a Empresa B não vê as ações socioambientais como oportunidade de lucro, parece se aproximar mais do pressuposto da obrigação legal em razão talvez da falta de indicadores econômicos e, somado ao fato que os investimentos em ações socioambientais não na visão de seu vice-diretor não garantem a lucratividade do negócio. No entanto, a empresa tem ampliado investimentos em ações de sustentabilidade como parte de adequação e ajustes para atender as obrigações legais.
A Empresa A demonstra que as práticas sustentáveis são vistas como oportunidades de negócios e, portanto, visam a lucratividade. Percebe-se que a Empresa A trabalha o negócio e sustentabilidade como indissociáveis, a empresa além de superar as obrigações legais de responsabilidade social corporativa, entende que as ações socioambientais permitem a empresa posicionar-se diferente da concorrência e que na visão de seus gestores é um diferencial que cria vantagem competitiva.
Identificar o retorno econômico por meio de investimentos em ações socioambientais parece ser uma dificuldade comum das duas empresas , ainda que pesquisas apontam para um mercado potencial onde consumidor tende valorizar cada vez mais as ações das empresas, nem sempre se pode afirmar que o lucro vem de determinadas ações socioambientais.
Além da coleta de dados por meio de questionários, também foi realizada uma leitura dos relatórios de sustentabilidade de ambas as empresas. A Empresa B por exemplo, apresenta indicadores globais de sustentabilidade e muito timidamente indicadores do Brasil, destaque para redução do uso de chumbo e eliminação da solda elétrica em processos fabris. A Empresa A apresentou várias ações socioambientais promovidas no Brasil tendo como destaque projetos que visam a reciclagem de materiais e equipamentos, além dos produtos verdes como parte integrante da agenda de negócios e sustentabilidade para 2012.

Considerações finais

Com base na análise percebe-se que a relação da Empresa A com sustentabilidade encontra-se num nível de maturidade superior se comparada a Empresa B. Isto foi bastante perceptível após o contato com os respondentes e relatos de suas experiências. Se de um lado havia uma empresa que via esta pesquisa com entusiasmo e como uma oportunidade de comunicar sua relação e avanços com a sustentabilidade, do outro, havia uma empresa com menos pretensão em de expor esta relação e, que apesar de limitar suas ações socioambientais às obrigações legais, vem ampliando seus investimentos na área.
O pensamento estratégico da Empresa A parece guiá-la para uma empresa que possa se ajustar continuamente aos desafios socioambientais. A Empresa B entende que o governo deve ter uma participação mais ativa acerca das demandas socioambientais por meio de incentivos às empresas e educação da sociedade.
O pressuposto da lucratividade pode ser atribuído à reputação da marca, de modo que se um consumidor opta por uma marca sustentável, esse pode se traduzir em lucro. Contudo, o consumidor pode estar consciente sobre uma marca sustentável e não optar em adquiri-la devido à importância dada a outros fatores de diferenciação mais importantes tais como: preço, qualidade, acesso, embalagem, promoção etc. Portanto, pode –se dizer que o grande desafio da empresa - é tornar uma marca sustentável sem perder o foco em atributos e benefícios de produtos ou serviços dos quais o consumidor também valoriza.
Foi possível compreender que a responsabilidade socioambiental ainda que timidamente pode criar vantagem competitiva. No Brasil em âmbito geral a Responsabilidade Socioambiental encontra-se num estágio embrionário apesar de fornecer fortes indícios da existência de um mercado potencial de futuras gerações em deliberar mais efetivamente acerca da sustentabilidade no comportamento do compra.
Percebe-se também, que a Responsbildiade socioambiental está estruturada no negócio da empresa, ou seja, em ações que permeiam pelos fatores críticos de processo, produto, tecnologia e desenvolvimento e que os fornecedores são agentes importantíssimos na condição de iniciantes dos processos da cadeia de valores.
Observada a cultura e educação como sendo as principais dificuldades apontadas pela Empresa A na implementação da Responsabilidade Socioambiental, pode-se dizer que por mais relevante que seja a educação dos colaboradores de uma empresa, a educação da sociedade passa ser o fator propulsor para mobilizar todos os agentes dos stakeholders, inclusive o próprio governo. Sem a conscientização da sociedade e mercado sobre a necessidade de se construir cada vez mais negócios com vieses socioambientais, as empresas não se sentirão engajadas em levantar a bandeira da sustentabilidade. Portanto, novos estudos acerca do tema com foco no comportamento do consumidor pode ser uma opção complementar ao presente trabalho para entendermos por que especialmente em âmbito geral no Brasil a cultura da sustentabilidade caminha em ritmo de conta gotas, comparado a outros paises da Europa, por exemplo. Identificar o que o consumidor pensa ou suas intenções não serão suficientes, é preciso identificar o grau de importância dado pelo consumidor às ações socioambientais das empresas comparados aos atributos e benefícios do produto ou serviço, desta forma os resultados podem ser capazes de predizer mais precisamente o seu comportamento.






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segunda-feira, 16 de junho de 2008

As Pessoas na Centralidade do Capital




Transformações e demandas do mundo do trabalho

Sem dúvida nenhuma que as relações de trabalho, bem como a gestão de pessoas vêm passando por transformações orientada para o capital. As principais mudanças foram iniciadas pelo taylorismo e fordismo e até os dias de hoje podemos destacar o toyostimo como o mais recente paradigma do trabalho, onde por mais que seu modelo de gestão norteia a flexibilização, este também liofiliza as pessoas (Antunes).
No início do século XX o indivíduo dificilmente chegara a ser pessoa no contexto das organizações, numa época em que o controle de tempos e movimentos enaltecia o capital, o indivíduo vivia numa espécie de camisa de força tendo atracado de vez seus desejos de ser mais que um animal , pois até um primata poderia exercer suas atividades (A classe operária vai ao paraíso). Neste sentido, o taylorismo também foi uma proposta unívoca de desenvolvimento para o Estado, propiciou à industria americana um grande salto para o desenvolvimento e ancorou patamares de produção e especialização que mais tarde o fordismo viria tornar ainda mais legítimo a serviço do capital. Numa época se de um lado a produção em escala ancorava o capital, do outro, a produção científica estava em alta.
Por volta dos anos 40 e 50 passou se estudar o comportamento do ser indivíduo promovendo–o para o ser “pessoa”. O ser “pessoa” é mais complexo, é um ser com demandas internas orientadas pela psicologia, economia, biologia, antropologia e sociologia. Nesta pessoa reside um comportamento de difícil relação e deciframento propiciando uma queda de braço - de um lado a organização cuja racionalização é econômica e dominante, e do outro a pessoa que reivindica direitos depois de ter vivido quase quarenta anos como um “robô alegre” às custas da acumulação de capital.
O surgimento dos primeiros movimentos sindicais - direitos do trabalho e ampliação de benefícios é a resposta ao ser pessoa que começava a conquistar algum lugar transcendente na organização e sociedade. Contudo, por volta das décadas 70, 80 e 90 o mundo presenciou mudanças sistêmicas que provocaram fortes transformações sociais e no mundo do trabalho tais como; globalização da economia, instabilidade social, política e econômica, enxugamento das grandes organizações, flexibilização, downsizing, fusões e aquisições de empresas, desemprego, enfraquecimento dos sindicatos e degradação das condições de trabalho. Se de um lado o capital era intenso, do outro, o mundo trabalho estava enfraquecido, tendo como conseqüência o surgimento de tensões e contradições em torno da valorização das pessoas e simultaneamente a informalidade, desemprego, terceirização e subcontratação.
Creio que o grande desafio das organizações é ajustar seus interesses aos interesses da pessoa, nesse sentido pode-se dizer que a pessoa caminha para um ser cada vez mais multifacetado, fragmentado, mas que também, estará focada para o capital, uma vez que este garante o seu reconhecimento sócio – econômico.
Segundo Braverman, a organização é controladora do Estado e Sociedade, possui domínio nessas relações e amplifica seus esforços em prol da acumulação de capital. No capitalismo não é o trabalho que fica reduzido, mas são as pessoas que o realizam em função de submeterem à própria violação de caráter (Mills 1973).
As revoluções industriais do capitalismo marcaram a história por fortes mudanças no mundo do trabalho, trouxe como eixo central do seu desenvolvimento, o trabalho a qualquer custo, de um lado a organização que sobrepunha seus interesses ao da pessoa, e do outro, um indivíduo estacionado no lado do pêndulo que menos pendia, fato este ocorrido no início do século XX nos Estados Unidos (Fordismo) e Japão (Toyotismo). No entanto, atualmente estamos revivendo paradigmas do trabalho que pareciam estar ultrapassados como fordismo e, a exemplo da China, o fordismo está presente em seus chãos de fábrica, ou melhor, em seus “chãos fábrica a céu aberto” que garante o atrofiamento da pessoa e o desenvolvimento do indivíduo e capital. Afinal, que paradigma dominante está presente na China? Neo-toyotisimo ou Neo-fordismo? Será que a resposta continuará nos “ismos” ou inovará com “neos”? Creio que seja difícil prever efetivamente que transformações o mundo do trabalho terá no século XXI. No entanto, uma coisa parece não mudar - a univocidade do capital como processo peremptório das mudanças sócio-econômico, ou seja, ainda que as pessoas alcance níveis de reconhecimento e satisfação no trabalho e que o sentido de ser “pessoa” seja cada vez mais ampliado e valorizado nas organizações, a mão invisível do capitalismo como pano de fundo se moverá continuamente em direção do poder (capital), controle e influência sobre as pessoas.


Desafios da Gestão de Pessoas e a Reformulação das Relações de Trabalho

Durante décadas o trabalho não percebeu a ausência do seu valor intrínseco (Mills), pois o sentido do trabalho para Freud e Max é o trabalho que realiza a pessoa da dimensão criativa, da exposição de potencialidades. A centralidade do trabalho na vida das pessoas se degradou e reduziu o próprio sentido da pessoa. Onde efetivamente as pessoas resgatarão o sentido do trabalho? No lazer? Será que a esfera do lazer não é uma forma ilusória de liberdade?
No tocante geral, o RH passou ao longo de sua trajetória reconfigurando as pessoas para o mundo do trabalho, as pessoas eram doutrinadas em prol dos interesses da organização em troca de pacotes de benefícios que mais tarde não seriam mais suficientes devido à esfera social da pessoa ter sido esquecida no tempo.
Não se reconfigura o comportamento das pessoas, a reconfiguração é do trabalho sobre as perspectivas das pessoas, é preciso ampliar o pacote de benefícios que contribua para construção e valoração social, econômica, psicológica etc.., reconfigurar o trabalho e não as pessoas, é permitir a compatibilização do progresso do capital e social, ainda que ambos assumam interesses fins antagônicos, a reconstrução do trabalho pode recuperar o sentido intrínseco do trabalho para a pessoa. No entanto, creio que as organizações como IBM e GM tiveram seus pacotes de RH ampliados e orientados para recuperação do valor intrínseco do trabalho e valoração da pessoa enquanto um ser biopsicosocialecononômico.
Outro fato relevante a destacar, é que de nada adianta reconfigurar o modelo gestão de pessoas sem antes termos uma proposta efetiva de “regulamentação” das relações de trabalho. As dimensões das relações de trabalho em nível micro (empresa), meso(setor), macro(governo) global(globalização) devem ser discutidas no sentido estratégico, promovendo a compatibilização da negociação do trabalho e capital, sob a responsabilidade dos agentes (players) de promoverem democratização e civilização nas relações de trabalho.
A gestão por competências passa a exercer um papel fundamental no planejamento estratégico organizacional. Neste contexto, a pessoa ganha um novo formato para lidar com os desafios, possui saberes e conhecimentos, transforma as ações em resultados, prioriza o relacionamento e interação, age dentro de parâmetros éticos e sociais, aprende continuamente com a resolução do evento e comunica suas realizações.

Principais mudanças na Gestão de Pessoas
Em razão das transformações do mundo do trabalho e do cenário econômico-social mundial, os modelos de RH e Gestão de pessoas passaram por transições como resposta a um ajuste aos cenários turbulentos, de períodos radicais, e formou correntes em direção de dimensões que marcaram todo um processo histórico das pessoas na organização. Assim, classificam-se as grandes correntes sobre gestão de pessoas, são elas: modelo de gestão de pessoas como de departamento pessoal, gestão do comportamento, gestão estratégica e competências. Vejamos as características de cada uma delas;

Departamento Pessoal
O principal objetivo dos gerentes de pessoal era estabelecer um método pelo qual pudessem obter uma extensa e diversificada massa de candidatos a emprego sendo eficiente e ao melhor custo possível. Nesta época (EUA) aproximadamente em 1920, o sindicalismo não havia se desenvolvido neste novo contexto de organização e a força de trabalho era fortalecida pelo grande contingente de migrantes. Neste modelo de gestão é notório que o indivíduo era visto como um instrumento matemático de produção para a lucratividade da empresa e muito embora a administração científica era bastante compatível com este modelo, ou seja, voltado para a eficiência de custos, a administração de recursos humanos avançava para o estudo do comportamento humano orientado pela psicologia.

Gestão do Comportamento
A gestão do Comportamento teve sua origem nos anos 60 a partir de um grupo dissidente da Escola de Relações Humanas que recusava a concepção de que a satisfação do trabalhador gerava de forma única a eficiência do trabalho. A gestão do comportamento defendia a valorização do trabalhador em qualquer empreendimento baseado na comprovação experimental, em oposição ao subjetivismo da época, mas concentrando-se no indivíduo, estudando o seu comportamento (aprendizagem, estímulo e reações de respostas e hábitos, etc.) de uma forma concreta, e não através de conceitos subjetivos e teóricos (como sensação, percepção, emoção, atenção, etc.). Tendo sido bastante influenciado por estudos comportamentais em outros campos da ciência, procurou adaptar tais estudos para a administração, fornecendo assim uma visão geral do que motiva as pessoas a se comportarem de determinada forma. A abordagem da gestão do comportamento surge então como tentativa de sintetizar, ou harmonizar a teoria da organização formal com enfoque nas relações humanas.
Em virtude da congruência, a abordagem behaviorista é, no fundo uma abordagem antítese em relação a Teoria Clássica e sua tese sobre organização formal, bem como crítica ao "modelo de máquina” imposto pelo taylorismo.

Gestão Estratégica e Competências
Entre as décadas de 70 e 80, a gestão de pessoas passou a se ajustar às mudanças do ambiente, devido ao fenômeno da globalização e conseqüente transformações socioeconômico, trouxe as pessoas para a base do planejamento estratégico das organizações. Fato este, que originou a ruptura com o estudo do comportamento da pessoa concomitantemente a legitimação das pessoas como recurso estratégico de competitividade.

A Importância das pessoas na organização sob contexto da estratégia

Certamente um dos grandes entraves enfrentados pelas organizações é de manter seu pessoal orientado para o seu sucesso a todo tempo. Neste sentido, o comportamento e a estrutura organizacional devem ser elementos facilitadores do pensamento e ação estratégica da organização e não rígidas barreiras que impactam ou retardam seus objetivos. Para Robbins (2002:503) a cultura organizacional cumpre várias funções no seio de uma organização: define os limites; transmite um sentido de identidade a seus membros, facilita a criação de um comprometimento pessoal com algo mais amplo que os interesses egoístas do indivíduo; e, estimula a estabilidade do sistema social.
Antes que a organização detenha efetivamente as competências essências para competir, são as pessoas que formam a base do conhecimento dessas competências, portanto, é importante identificar e mapear as competências individuais e coletivas que possam se ajustar ou desempenhar um papel peremptório no sucesso das ações estratégicas da organização. Segundo Nonaka e Takeuchi (1997), a informação é um fluxo de mensagem e por meio dela não só se extrai como também constrói conhecimento. Ainda que tenhamos um olhar crítico para as escolas francesa, americana e brasileira sobre competências, a gestão de competências é o processo sistemático de administração do capital humano organizacional que tem seu foco na gestão entre pessoa e empresa alinhada às necessidades estratégicas, seguindo os preceitos e a filosofia da organização que aprende (Senge). Assim, as empresas deverão apresentar respostas para as seguintes perguntas; que competências são necessárias para competir e como geri-las de forma ética contribuindo para o desenvolvimento do capital e social?
Segundo Prahalad e Hamel as principais características das competências essenciais da organização são; abrangência coorporativa, estabilidade de tempo, aprendizagem ao fazer e locus competitivo e que, as habilidades e tecnologias devem habilitar a organização a fornecer valores aos seus clientes. Neste sentido, pode-se afirmar que as competências das pessoas devem resultar numa força motriz para alavancar a estratégia competitiva da organização sob os aspectos da excelência operacional, inovação no produto e orientação para o serviço.

Conclusão
Com base no que já vimos anteriormente sobre a trajetória das pessoas nas organizações e as transformações do mundo trabalho, social e capital parece não caminhar por muito tempo juntos. Infelizmente parece ser consenso entre diversos autores que o maior fator crítico de sucesso entre as esferas; da pessoa, da organização e social é sua compatibilização, democratização e civilização.
O capital por muito tempo permanecera como iniciador das mudanças sociais, econômicas e políticas, porque sua legitimação está impregnada no âmago da sobrevivência e do enriquecimento seja das pessoas ou das organizações. Portanto, conforto e facilidade não são palavras de ordem para legitimar um novo modelo de gestão, modelo este, que desenvolva continuamente a pessoa, que a valorize socialmente, que a reconheça como um ser de ocupação central e não periférica e que esteja amparado por uma regulamentação efetivamente sustentável orientada para o progresso do capital e social.

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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Estratégia por diferenciação: uma proposta unívoca de competitividade para as organizações


Gestão de Negócios, Estratégia e Marketing...

Resumo
Este artigo tem duas finalidades, a primeira é promover uma discussão sobre as estratégias genéricas de Porter (1986). Considerando o processo contínuo de transformações que o mercado passa, empresas precisam reagir em tempo real se quiserem efetivamente consolidar-se para um crescimento sustentável. A proposta de Porter (1986) baseia-se na escolha de apenas uma estratégia competitiva, seja por liderança em custo, diferenciação ou enfoque, contudo, este artigo traz alguns indicadores de que é possível as organizações adotarem estratégias combinadas, e que as mesmas nem sempre são exclusivas. Segundo, é propor a expansão de escopo da estratégia por diferenciação através da inclusão da liderança por custo e aspectos de responsabilidade sócio-ambiental como sendo as competências necessárias para a competitividade no mundo coorporativo contemporâneo.

Palavras Chave: estratégia, competitividade, diferenciação

Abstract
This article has the purpose of creating a discussion on Porter's (1986) generic strategies. Considering the market transformations continuous process, companies need to react in real time if they want to consolidate for a sustainable growth. Porter's Proposal bases on choice of only a competitive strategy, be by leadership in cost, differentiation or focus, however, this article brings some indicators that it is possible the organizations adoption strategies combined, and how the same not always they are exclusive. Other important point is to propose the strategy scope expansion for differentiation, to involve also aspects of social and environmental responsibility.

Key words: strategies, competitive, differentiation.



Introdução
O marketing está inserido em todo e qualquer processo de transação de valores, cuja finalidade essencial é o bem estar de pessoas, organizações ou nações. Pode –se dizer que o marketing é um elemento peremptório para competitividade e de consolidação de cenários sob perspectivas de ordem sociológica e econômica. Por volta de 1912, a produção e distribuição de produtos passaram a ser função central do marketing e condição de integração entre compradores e vendedores, havia a necessidade de classificar produtos quanto ao ponto de venda, conveniência e emergência entre outras características, fato este ocorrido numa época em que o marketing era orientado pelos princípios da economia.
Vive-se em tempos em que o marketing deixou de ser apenas atividade atribuída aos vendedores e distribuição como ponto central, está prática transita em todas áreas da organização onde o esforço coletivo deve resultar em bens de serviços ou produtos que satisfaçam clientes. Produzir o que o cliente deseja, talvez não seja apenas suficiente para satisfazê-lo, é preciso criar pilares de relacionamento que sustente um processo de transação de longo prazo.
O marketing é estratégico, o que é um pleonasmo dizer “estratégia de marketing”, porque tanto o contexto como as atividades de marketing estão voltadas para a competitividade, para um determinado ambiente com um único intuito, a transação. Marketing é o exercício das ações dos 4 Ps para o ambiente externo da empresa, 4 Ps ou composto de marketing são processos de gestão e resultam em ações de competitividade cujos intuitos são a maximização de lucro, participação de mercado entre outros objetivos baseados no crescimento ou sobrevivência da organização. A existência do marketing é para servir as barreiras de competitividade, se não há competitividade não há marketing, práticas de preço, de localização, distribuição ou qualquer diferenciação deve servir como forma de ajustamento ao cenário mercadológico, desta forma, a prática do marketing está em função do ambiente externo e todos os esforços da organização devem traduzir em ofertas de soluções para o seu público-alvo.
A proposta deste artigo é uma revisão teórica e crítica das estratégias genéricas de Porter 1986, que tem como base uma revisão bibliográfica e uma pesquisa de campo, portanto a citação que se faz neste referido trabalho diz respeito às tipologias de estratégia de Porter 1986. As questões que norteiam ou sugerem a problematização deste trabalho são:
a) As estratégias genéricas de Porter são determinantes para obtenção da vantagem competitiva ou sobrevivência das organizações?
b) A liderança em custo não é uma estratégia de diferenciação?
c) A diferenciação deve ser baseada somente no produto?
d) Quais são as expectativas do consumidor consciente sob contexto da responsabilidade sócio-ambiental da empresa?
Com essa determinação tem-se a oportunidade de discussão dessas questões e novos rumos sobre a necessidade de criação de outras tipologias de estratégias . Para tanto, este artigo se divide em quatro partes; 1) inicia-se abordando o que é estratégia, fazendo uma breve recuperação histórica até atualidade, 2) revisão crítica das estratégias genéricas de Porter (1986), 3) revisão crítica das estratégias genéricas de Porter(1986), 4) necessidades de novos estudos como proposta de revisão de Porter (1986). Será utilizada apenas a palavra "produto", mesmo quando a situação permita uma inferência também para o ramo de serviços.

1. Estratégia
Os anos 80 testemunharam a entrada da palavra estratégia no vocabulário popular. Dada a ascensão dos economistas neoliberais e da ascensão política, o espírito dessa época era notadamente, comercial. A palavra estratégia deriva do grego strategia, que significa arte do general, e foi primeiramente usada na língua inglesa em 1688. Conforme o James’s Military Dictinionary de 1810, estratégia envolve algo feito fora da visão do inimigo, enquanto as táticas são medidas imediatas tomadas frente ao adversário.
A introdução de estratégia no mundo dos negócios ocorreu simultaneamente com a questão da competitividade. De fato, um dos pontos de referência mais freqüentemente usados no campo da estratégia tem sido a formulação de Andrews, que define como rivalidade entre companheiros para a conquista de prêmios em um jogo definido e compartilhado. Aqui, como sugerimos para os anos 80, a estratégia é vista como meio de obter o ajuste entre a empresa e o ambiente, e é julgada com a sustentabilidade que leva ao que a administração pode ser. Depois de muita aplicação e desenvolvimento, o conceito de estratégia e as técnicas de administração estratégica ultrapassaram os limites do campo militar e passaram a conduzir a vida das organizações visto que, desde os seus primórdios, a administração preocupa-se em unir recursos materiais e humanos para o alcance de metas previamente determinadas (MAXIMINIANO, 2000).
Segundo Sawyer (apud NEVES, 1999, p.21), “nos negócios, estratégia é a arte ou ciência de usar recursos disponíveis e recém-criados com a máxima eficácia para se moverem em direção aos objetivos do negócio”. Para ele, as estratégias empresariais devem ser elaboradas e executadas cuidadosamente, de modo a proporcionar o alcance dos resultados esperados.
Para Ansoff (1965), a estratégia é vista como um conjunto de normas de decisão que orientam o comportamento de uma empresa no alcance de seus objetivos.
As definições do conceito de estratégia são quase tão numerosas quanto autores que as referem. Existindo, embora, convergência em alguns aspectos na base do conceito, o conteúdo e os processos de formação da estratégia são objetos de abordagens muito diversas que assentam na forma como os autores concebem a organização e entendem o seu funcionamento. Como afirmam diversos autores citados (HAMBRICK; 1980), a estratégia é um conceito multidimensional e situacional e isso dificulta uma definição de consenso.
Os conceitos e visões da estratégia , entre prática e teoria (MINTZBERG; 2000): (a) a estratégia diz respeito tanto à organização como o ambiente; (b) a essência da estratégia é complexa; (c) a estratégia afeta o bem estar da organização; (d) a estratégia envolve questões tanto de conteúdo como de processo; (e) as estratégias existem em níveis diferentes; e (f) a estratégia envolve vários processos de pensamento.
Outro fator importante é que o conteúdo da estratégia, assim como as crenças sobre as quais a mesma é construída, são fluxos em constante formação (DRUKER;1994). Dessa forma, a estratégia é um produto em constante formação. Entre os vários enunciados, estratégia tem sido tratada como: plano, padrão, posição, perspectiva e truque (MINTZBERG; 1987); um processo de aprendizado (Senge:1990); desenvolvimento de competências essenciais (HAMEL; PRAHALAD; 1995); incrementalismo lógico e inovação (MINTZBERG; QUINN;2001). Para os clássicos como Igor Ansoff e Michael Porter dominar ambientes internos e externos exige um bom planejamento e um processo racional de cálculos e análises deliberadas, com o objetivo de maximizar a vantagem competitiva a longo prazo.
Analisando as definições apresentadas, pode-se considerar que a estratégia é vista como um guia que procura orientar o comportamento das empresas a fim de que estas alcancem seus objetivos; é um conjunto de orientações que direcionam e posicionam a empresa em seu ambiente, organizam seus recursos a fim de alcançar resultados pré-determinados.
Com as palavras do Morin e Lê Moigne (apud BORGATTI NETO, 2002) referente ao enfrentamento das incertezas através da estratégia:
Seria preciso ensinar princípios de estratégia que permitiriam enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza, e modificar seu desenvolvimento, em virtude das informações adquiridas ao longo do tempo. É preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza...O abandono das concepções deterministas da história humana que acreditavam poder predizer nosso futuro, o estudo dos grandes acontecimentos e desastres do nosso século, todos inesperados, caráter doravante desconhecido da aventura humana devem-nos incitar a preparar as mentes para esperar o inesperado, para enfrentá-lo.

2. Fundamentação Teórica
A análise do ambiente interno e externo de uma organização é a essência de qualquer esforço de planejamento estratégico porque exige que as organizações avaliem as potencialidades, fragilidades, oportunidades e ameaças para poder identificar um nicho que a organização possa explorar. Uma vez que o ambiente de uma organização, em grande grau, defina as opções da administração, uma estratégia de sucesso será aquela que estiver bem ajustada ao ambiente. Por isso, partiremos do pressuposto de que a administração tem uma compreensão precisa do que está acontecendo em seu ambiente e está atenta a tendências importantes que poderiam afetar suas operações.
Hamel (2000) afirma que existe uma linha muito tênue entre as organizações que venceram o passado e as que inventam o futuro. No entanto, essa linha não separa a velha e a nova economia, senão organizações capazes de empreender uma inovação profunda das que não têm essa capacidade. Em Vico Mañas (2007) entende-se que inovar não faz parte apenas do operacional e do tático, é algo mais abrangente, estratégico, pois gera diferenciação e pode promover desenvolvimento geral da organização e da sociedade. Inovar significa, em um sentido mais amplo, ofertar bens e serviços que não existiam anteriormente. São coisas diferentes que agora estão à disposição. Na prática são conhecimentos e mudanças que experimentadas são capazes de garantir um diferencial competitivo ou pelo menos a tentativa de ser uma organização competitiva. O reflexo é uma pressão, dos clientes, dos concorrentes ou mesmo internas da organização e que levam a novas experiências.
Porter (1986) defendeu que a competição não depende exclusivamente da atuação dos concorrentes, sendo que o grau de rivalidade é conseqüência de cinco forças competitivas básicas que ele denominou “forças que dirigem a concorrência na indústria: rivalidade entre as empresas existentes, ameaça de novos entrantes, ameaça de produtos substitutos, poder de negociação dos fornecedores e poder de negociação dos compradores”. Ocorre que tais forças, além de determinarem o grau de concorrência em uma indústria, também influenciam o retorno sobre os investimentos realizados pelas empresas, e têm elevada importância no processo de definição de estratégias. Todas estas forças influenciam e também são influenciadas por todas as empresas da indústria, entretanto, aquela que identificar as origens de tais forças e assim influenciá-las a seu favor, poderá usufruir melhores posições no setor, o que será traduzido em maiores retornos.
Ainda que seu trabalho, Porter procura identificar as fontes de vantagem competitiva da empresa, utilizando o modelo da cadeia de valor como forma de análise sistemática de todas as atividades executadas por uma empresa, assim como o modo que elas estão ligadas entre si ou às atividades de outras empresas (fornecedores, canais de distribuição, consumidores finais, etc). Porter procura descrever o modo como uma empresa pode obter uma vantagem de custo sustentável ou diferenciar-se de seus concorrentes e pretende, assim, responder “Por que empresas de uma mesma indústria apresentam diferenças de rentabilidade sustentáveis a longo prazo?”.
Porter propõe que nenhuma empresa pode ter um desempenho num nível acima da média, tentando ser tudo para todas as empresas. A administração, portanto, precisa selecionar uma estratégia que confira à sua organização uma vantagem competitiva. A Blockbuster, por exemplo, demonstrou ser muito competitiva em todos os mercados em que entrou devido à sua ampla seleção de filmes e ao seu compromisso com o atendimento. Estas qualidades, altamente valorizadas pelos clientes dificultam a vida das videolocadoras concorrentes.
Identifica Porter (1986) três estratégias que a administração pode escolher: liderança de custo, diferenciação e foco. A escolha dependerá das forças da organização e das fragilidades dos concorrentes. Segundo o auto, deve-se evitar uma posição na qual tenha de bater todo mundo em seu ramo de atividade. O objetivo deve ser o de colocar a força da organização onde a concorrência esteja. Quando uma empresa se dispõe a ser produtor de baixo custo em seu ramo, está adotando uma estratégia de liderança de custo, quando a organização busca ser a única em seu ramo mediante procedimentos amplamente valorizados pelos clientes está adotando uma estratégia de diferenciação e finalmente quando uma organização visa uma vantagem de custo ou diferenciação em um segmento estreito está adotando uma estratégia de foco (segmentação).

Liderança em Custo
A estratégia de liderança no custo total procura atingir o menor custo possível através da utilização de políticas e processos que orientem a companhia para suas atividades fins. Este tipo de estratégia exige que a empresa possua grande capacidade instalada para atender elevadas demandas, o que proporcionará economias de escala e reduções de custo em virtude da experiência adquirida. Ainda que os atributos de qualidade e atendimento ao cliente sejam importantes, o foco desta estratégia é o custo baixo para conquistar os clientes sensíveis ao preço. Mesmo que a existência e ação das forças competitivas influenciem a rentabilidade da empresa, a liderança no custo total permite que a empresa obtenha retornos acima da média, e também protege a companhia dos competidores, uma vez que os custos mais baixos possibilitam o lucro mesmo quando os concorrentes já os tenham consumido.

Diferenciação
A estratégia de diferenciação procura diferenciar a oferta da empresa dos concorrentes através da criação de um diferencial competitivo, que pode ocorrer sob as formas de marcas e atendimento personalizado, dentre outras dimensões. Esta estratégia não considera grandes volumes e preço baixo. Ao contrário, a estratégia de diferenciação busca atender um número menor de clientes de uma forma mais personalizada, o que inviabiliza a conquista de grande participação de mercado. Desta forma, a empresa cria barreiras de entrada aos concorrentes em virtude da lealdade obtida dos consumidores. Além disso, o poder de barganha dos compradores diminui à medida que os mesmos são menos sensíveis ao preço e também por causa da escassez de alternativas que atendam às suas necessidades de forma satisfatória. Mesmo não ignorando a questão relativa ao preço baixo, a estratégia de diferenciação busca obter retornos acima da média, como modo de defender sua posição na
indústria perante as forças competitivas.

Enfoque
A estratégia de enfoque busca centrar as forças em um grupo específico de compradores, ou em uma determinada área geográfica, e assim, o enfoque pode ocorrer de formas variadas. Normalmente as estratégias de custo baixo e diferenciação são aplicadas com ampla abrangência em todo o setor. Entretanto, a estratégia de enfoque procura atender um alvo específico com alta eficiência e, para que este objetivo seja atingido, todos os processos são definidos em conformidade com este tipo de estratégia. Isto ocorre porque a empresa entende que é possível atender com maior precisão as necessidades de um público-alvo mais específico do que procurar atender às necessidades da indústria como um todo. Assim, como nas estratégias de liderança no custo total e diferenciação, a utilização adequada do enfoque também proporciona retornos acima da média, pois a empresa pode atingir uma posição de baixo custo ou de diferenciação, ou ambas.

O sucesso de longo prazo de qualquer estratégia requer que sua vantagem competitiva seja sustentável, ou seja, ela deve resistir à erosão provocada pelas ações de concorrentes ou por mudanças evolutivas no setor. Manter uma vantagem competitiva não é uma tarefa simples. A tecnologia muda e com ela as preferências dos clientes. È importante lembrar que algumas vantagens podem ser imitadas (benchmarking). A administração precisa criar barreiras que dificultem a imitação ou que reduzam as oportunidades de concorrência. O uso de patentes e direitos autorais, por exemplo, reduz as chances de imitação. Quando há fortes economias de escala, reduzir preços para obter volume é uma tática útil. Reter fornecedores por meio de contratos exclusivos limita a capacidade de atendimento aos concorrentes. E o incentivo a políticas governamentais que imponham tarifas de importação pode limitar a concorrência estrangeira.
Para Kotler (2000), o conceito de diferenciação é o ato de relacionar um montante de diferenças significativas para distinguir o produto da empresa do produto do concorrente. Para que a estratégia de diferenciação do produto traga resultado satisfatório, a empresa deve contar com a excelência operacional, intimidade com o consumidor (para conhecer suas reais necessidades) e a liderança em termos de produto. As empresas encaram as fontes em potencial de diferenciação de uma forma muito limitada. Elas vêem a diferenciação em termos das práticas de marketing ou do produto físico, ao invés de considerarem que elas originam-se potencialmente em qualquer parte da cadeia de valores. A diferenciação proporciona isolamento contra a rivalidade competitiva devido à lealdade dos consumidores com relação à marca e também à conseqüente menor sensibilidade ao preço.
As opções estratégicas apresentadas são formas alternativas para as empresas se defenderem das forças competitivas que modelam o ambiente de negócios. A busca de uma posição intermediária é entendida pelo mercado como indefinição da empresa com relação ao seu posicionamento estratégico, o que traz mais problemas do que soluções. Nesta situação, a organização não possui escala suficiente para conquistar grande participação de mercado e assim usufruir os benefícios das vantagens de baixo custo. Da mesma forma, a empresa não consegue fazer uma oferta diferenciada ao mercado, o que dificulta a conquista da lealdade dos consumidores e pode gerar várias inconsistências. Além disso, a indefinição estratégica reduz a rentabilidade da empresa e compromete as possibilidades de sucesso, (PORTER; 1986).
Estratégia competitiva é o conjunto de ações de uma empresa para criar uma posição sustentável no mercado, enfrentar as forças competitivas e obter retorno sobre o capital investido. Porter, define estratégia competitiva como “a busca de uma posição competitiva favorável em uma indústria” visando “estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam a concorrência na indústria”.
Segundo Porter (1986), quanto ao desenvolvimento da estratégia, estas podem ser divididas em dois tipos: as que foram desenvolvidas explicitamente, por meio de um processo de planejamento; e as que evoluíram implicitamente, através das atividades dos departamentos funcionais da empresa. O autor defende a formulação explícita de estratégias competitivas, ressaltando que as mesmas devem ser pensadas, elaboradas e planejadas. Esse processo resulta em benefícios significativos para toda a empresa visto que integra as políticas departamentais na formação de um conjunto comum de metas, as quais todos farão esforços para atingir.
Para Porter (1986), desenvolver uma estratégia competitiva é determinar a maneira como uma organização irá competir, suas metas e políticas para realizá-las. Para desenvolver uma estratégia competitiva é preciso relacionar a organização com a sua indústria, a fim de que se possa compreender a concorrência e identificar as características estruturais que possibilitam a formulação de estratégias para a obtenção da vantagem competitiva. Segundo Porter, a escolha de uma estratégia competitiva baseia-se em dois aspectos importantes: na atratividade da indústria em termos de rentabilidade; e na posição competitiva da empresa na indústria. Esses dois aspectos são dinâmicos e mutáveis, visto que a escolha de uma estratégia competitiva pode tornar uma indústria mais ou menos atrativa, como também pode alterar a posição de uma empresa dentro da indústria. Portanto, a estratégia competitiva deve responder ao meio ambiente da empresa bem como tentar moldar esse meio ambiente a seu favor.
Na visão de Porter (1991), um setor pode ser definido como um grupo de empresas cujos produtos ou serviços substituem uns aos outros com facilidade. Por isso, é importante que cada organização que compete em uma indústria possua uma estratégia competitiva bem definida e planejada.

3. Falácias da estratégia por diferenciação em produtos
Muitas organizações criam diversos diferenciais em produtos e serviços como proposta de estratégia competitiva, contudo, lançam diferenciais com base na capacidade de suas potencialidades e não com base nas necessidades de mercado. Em outras palavras, não é a quantidade de diferenciações atribuídas aos produtos e serviços que definirá uma estratégia sustentável, mas, diferenciações percebidas e valorizadas pelo cliente. A estratégia de diferenciação deve estar direcionada ao posicionamento de mercado da organização, se uma empresa do setor de transporte aéreo está focada na redução de custos de suas operações e como resultante, oferecer o menor preço de mercado a seus clientes, de na da adianta oferecer diferenciais com base no serviço de bordo, ou acomodações especiais, pois o grande diferencial competitivo continuará sendo o custo da passagem.
Outra falácia estratégica muito comum é a diferenciação de fácil imitação pelos concorrentes. Criar efetivamente vantagem competitiva é estar à frente de seus concorrentes, é possuir competências exclusivas de forma que além dos clientes perceberem o valor ofertado, seja também de difícil imitação. O conceito de produto potencial se deu em função de várias diferenciações atribuídas ao produto, seja design, funcionalidade, qualidade ou tecnologia, como estratégia de diferenciação para competitividade. Contudo, há uma grande tendência de que a diferenciação em produto permaneça por curto tempo no mercado, pois com o domínio plural da inovação tecnológica, as organizações criam “diferenciações commodities” de fácil reprodutibilidade, propiciando ao consumidor baixa expectativa e maior procura por diferenciação ainda não imitada. A palavra “commodities” utilizada neste artigo, vem ilustrar a fácil imitação e reprodutibilidade de produtos e serviços.

4. Diferenciação em serviços
Atualmente o relacionamento entre fornecedores de serviço e os clientes tornou-se um assunto de grande importância. Num mercado cada vez mais competitivo, sobrevivem as empresas que conseguem oferecer ao seu cliente mais valor por um custo menor. Os produtos oferecidos pelas empresas concorrentes tendem à padronização e isso torna imprescindível que a oferta seja diferenciada por algum fator de importância para o cliente.
Os serviços agregados aos produtos aumentam o valor da oferta e podem ser determinantes para a melhora no desempenho da empresa. Contudo, para que os serviços oferecidos realmente diferenciem a oferta, eles devem ser percebidos e valorizados pelos clientes.
Uma das grandes tendências do cenário empresarial na atualidade é a transição de uma economia de produção para uma economia com base no serviço. Como forma de obter vantagem competitiva, as organizações devem se empenhar cada vez mais no melhor desempenho dos seus serviços, considerando que é mais difícil copiar um serviço do que a tecnologia desenvolvida para produtos manufaturados.
Grönroos (1993) propõe tratar serviços ao cliente como uma forma de orientação da empresa que busca seu diferencial na satisfação dos clientes através da prestação de serviços.

5. Discussão
Após a publicação da obra “Estratégia Competitiva” ao longo das duas últimas décadas Hill (1988), apresentou algumas críticas aos trabalhos de Porter (1986), que defende a necessidade da escolha de uma única posição estratégica pela empresa. Hill (1988) afirma que Porter comete dois equívocos ao dizer que uma empresa deve escolher uma das estratégias competitivas genéricas, ou caso não o faça, ficará no meio-termo”. O primeiro refere-se à diferenciação, uma vez que a diferenciação pode ser um meio para a empresa atingir uma posição de liderança no custo total. O segundo aspecto ressalta que existem várias situações em que para estabelecer vantagem competitiva sustentável, é preciso buscar simultaneamente estratégias de liderança em custo e diferenciação, porque em várias indústrias não há somente posição de baixo custo. Entretanto, para Hill (1988; 401) a diferenciação pode ser um meio para a empresa atingir uma posição de liderança em custo. Existem algumas situações nas quais a sustentação da vantagem competitiva exige que a empresa busque simultaneamente as posições de baixo custo e diferenciação, pois em várias indústrias, não é possível competir somente em baixo custo”. Estas situações levantam a questão de que as estratégias de baixo custo e diferenciação não são inconsistentes, podem ser combinadas e não são mutuamente exclusivas ainda que Porter sugere que tais empresas estão no meio-termo (PORTER; 1986).
Porter (1996) sustenta que liderança em custo e diferenciação não são simultaneamente sustentáveis, mas se trai ao apresentar o exemplo da Southwest Airlines, empresa que reduziu seus custos ao cortar refeições, reserva de assentos e transferência de bagagem entre conexões (mas, como estes serviços acarretam atrasos às outras empresas aéreas, a Southwest acabou também se diferenciando em relação aos concorrentes).
Uma empresa que adota a estratégia combinada em liderança em custo e diferenciação, segundo Hill (1988), o gastos com investimentos em diferenciação causa elevação dos custos, contudo, o aumento de volume reduz os custos, o que em longo prazo reduzirá também os custos unitários. Hill (1988), então destaca três fontes de redução de custos: efeito aprendizagem, economias de escalas e economias de escopo. Assim o autor propõe que a diferenciação permite à empresa atingir uma posição de baixo custo, porém, ressalta o autor que o grau de contribuição da diferenciação para a obtenção de custo baixo depende de duas condições: do aumento da demanda resultante do investimento em diferenciação e da redução de custos resultante do aumento de volume. Estratégia combinada de custo e diferenciação pode ser uma proposta viável para empresas do setor de eletroeletrônicos serem menos vulneráveis e obterem um crescimento sustentável em longo prazo em razão das constantes mudanças de mercado.
Segundo os estudos de Dess e Davis ,(apud CARNEIRO -1997) empresas que utilizavam simultaneamente das estratégias de liderança em custo e diferenciação apresentavam um bom desempenho. Miller e Dess (apud CARNEIRO -1997) propuseram uma nova visão para o modelo de Porter (1986) abrangendo sete dimensões de combinações estratégicas que visam atender aos escopos amplo e estreito : I (diferenciação + baixo custo + escopo estreito) II (diferenciação + baixo custo + escopo amplo) III (diferenciação + escopo estreito) IV (diferenciação + escopo estreito) V (baixo custo + escopo estreito) VI (baixo custo+ escopo amplo) VII (meio-termo) .
Mintzberg (1988) também propôs novas tipologias de estratégias genéricas a partir de um conceito amplo de diferenciação; diferenciação por preço, diferenciação imagem, diferenciação por suporte, diferenciação por qualidade e diferenciação por projeto,
Porte (1991) afirma que a vantagem competitiva provém também das competências essenciais, que são basicamente a integração de vários recursos e que estas só serão sustentáveis, se for de difícil imitação. Após valorizar o papel dos recursos internos da organização, Porter retorna à sua posição com enfoque no ambiente externo e observa que seus trabalhos demonstram que a vantagem competitiva das nações Porter (1991) reside mais nas características do ambiente do que nas condições iniciais da organização

6. Pesquisa / Metodologia
Frente à problemática sobre as estratégicas genéricas de Porter (1986) e que as mesmas não reforçam que são excludentes, procurou-se identificar quantos fatores são decisivos no ato da compra do consumidor diante da variedade de ofertas de produtos eletroeletrônicos. Nesta pesquisa a principal preocupação é revelar se o consumidor é sensível ao produto referente aos atributos de diferenciações, preço ou se ambas simultaneamente. O setor escolhido foi eletroeletrônico, por se tratar de produtos norteados tecnologia a todo o tempo e tem como característica o consumo em massa por atender a vários perfis de consumidores.
A pesquisa foi baseada em entrevistas individuais num total de 57 respondentes, sendo estes pertencentes a uma mesma industria do setor farmacêutico. A finalidade também, toma como base, servir como iniciador além das críticas de Hill (1988) para contextualização da adoção por estratégias de competitividade combinadas e propor a univocidade da diferenciação no contexto estratégico como vantagem competitiva das organizações, seja por custo (preço) e qualquer outra diferenciação atribuída à transação.
A pesquisa baseou-se em questões: Quais os produtos eletroeletrônicos que foram adquiridos no período de maio – 2007 a outubro de 2007? e Qual ou quais foram os fatores decisivos para a compra do aparelho?. Em seguida, também foram questionadas, as pessoas entrevistadas se há a intenção adquirir algum produto nos próximos seis meses e quais motivos as levariam a antecipar a aquisição desses equipamentos ou adquiri-los em ocasião programada.

6.1 Resultados
Os produtos mais citados adquiridos entre maio-2007 a Outubro-2007 foram; televisores –CRT, MP4 – player, Celular, DVD Player e Mini system. Os produtos mais citados com intenção de compra para os próximos seis meses são; TV – LCD, computador, TV – CRT e IPOD, nota-se que há grande procura por produtos realçados tecnologicamente além de conferir também a importância do preço e design. A marca Sony foi a mais citada e confiável entre produtos como DVD Player – MP3- player e televisores. Sobre a segunda questão - num primeiro momento perguntado aos entrevistados sobre o que levaram a decidir pela compra de um eletroeletrônico, a maioria respondeu ter no mínimo dois fatores decisivos - tecnologia e preço (ver gráfico 3) e, em seguida solicitado para que escolhessem apenas um fator decisivo no ato da compra – fator tecnologia foi o mais citado (ver gráfico 4).


6.2 Análise da Pesquisa
A amostragem da pesquisa pode não ser tão relevante considerando o número de consumidores entrevistados. Contudo, é um indicativo de que a decisão de compra possa não estar baseado exclusivamente em preço, ou diferenciação de produto. Vemos no gráfico acima que tecnologia foi fator mais citado como influenciador no processo de decisão de compra do consumidor combinado com preço, em seguida, sugerido ao entrevistado que escolhesse apenas um fator decisivo de compra, a maioria considerou tecnologia , porém, antecipariam ou postergariam a compra em ocasiões onde as ofertas fossem mais atraentes, ou seja, melhores condições de preço.
Há a necessidade de estudos complementares de organizações quanto ao uso de múltiplas estratégias. Contudo, em âmbito nacional podemos citar que o mercado de fast food tem crescido exponencialmente, o Habib´s, por exemplo, consegue liderar em preço e criar diferenciação através não do produto, mas, da logística sob a promessa de entregar o produto em 28 minutos, uma vez que se o tempo for expirado o cliente recebe o produto gratuitamente. Tal imposição setorial dificulta que a concorrência pratique a mesma estratégia, pois, ela já é líder em preço e mantém a fidelização de clientes através de um fator crítico do setor que é a logística. Assim, toda e qualquer estratégia por diferenciação deve ser iniciada em fatores críticos relevantes para o consumidor e posteriormente ajustadas às potencialidades da organização.
A disputa no varejo não é diferente e vai muito além das gôndolas. Inclui expansão constante, inovação, novos formatos, muita negociação com fornecedores, bons preços, pesquisas e investimentos. O Carrefour, por exemplo, investiu em lojas de bairro e no formato Express, além do incremento de serviços, como postos de gasolina, drogaria, agências de turismo, e galerias comerciais nos endereços de maior área. O Carrefour pode ser um modelo de que a estratégia focada apenas em preço nem sempre garante a satisfação, pois é preciso ampliar a oferta de valores para o consumidor, estratégias diferenciadas em preço e serviços têm sido a nova proposta do Carrefour em busca de um reposicionamento que começou em 2004 para fortalecimento da marca.
A Procter & Gamble, por exemplo, é uma das mais habilidosas promotoras de produtos de consumo e tem demonstrado proteger suas participações de mercado diante de hábeis empresas concorrentes. É uma inovadora de produto que dedica aproximadamente 1,2 bilhão de dólares, mais ou menos três por cento de suas vendas a pesquisa e desenvolvimento – uma quantia relativamente alta para uma empresa de produtos de consumo. Concomitantemente investe em processos de produção para manter seus custos entre os mais baixos do setor. Cortou custos em níveis de produção, permitindo a redução dos preços Premium, pelos quais alguns de seus produtos de consumo são comercializados.
A principal estratégia da Procter & Gamble, sugere a combinação de preço baixo e tecnologia, enquanto a primeira poderia ajustar-se a liderança em custo, a outra se refere à diferenciação de produto através da inovação tecnológica

7. Proposta para discussão
A estratégia por diferenciação deve ser iniciada pelos fatores críticos do mercado, ou seja, do ambiente externo, muitos produtos fracassam logo após o seu lançamento por várias razões, entre elas, por não traduzirem em benefícios sustentáveis que resultem na satisfação de necessidades e desejos de seus consumidores em razão de serem arquitetados da organização para organização - isso pode ser ilustrado numa inversão de perguntas; O que a empresa sabe fazer ou quais as necessidades e desejos do consumidor?
A estratégia por diferenciação tem como proposta apresentar vantagens competitivas que ultrapassem o contexto do produto, pois em mercados cada vez comoditizados, não há fronteiras para satisfazer o consumidor, pois a decisão de compra do consumidor pode estar baseada num simples sorriso de um atendente de loja, ou a maneira que uma loja de shopping expõe seus produtos na vitrine.
O produto pode ser considerado um campo limitado para oferecer diferenciações, muito embora os atributos de qualidade, funcionalidade e de posse são esperados por clientes, nem sempre estes refletem a satisfação, pois as ações que circundam ao objeto da transação podem ser mais satisfatórias do que o próprio produto ou serviço, veja como modelo Casas Bahia, não vendem produtos, vendem crediário, a ação preponderante para tal fenômeno vem da promoção, da comunicação persuasiva em ter o que deseja a menor prestação. Neste caso a estratégia por diferenciação não está no produto ofertado e sim na forma em que ele é negociado, para o público alvo o diferencial é o crediário, para Casas Bahia o diferencial é o poder de barganha com seus fornecedores e saúde financeira e como influenciador de atitudes e comportamento, as ações de comunicação consolidam uma estratégia sustentável e o posicionamento da organização.
A extensão de escopo da estratégia diferenciação é propor que toda ação estratégia deve haver variáveis diferenciais no contexto da transação como um todo, ou seja, além de produto a estratégia deve focar qualquer diferencial que traduza em vantagem competitiva. Para tanto, são sugeridos dois tipos de estratégias por diferenciação; Diferenciação por composto de marketing combinado e diferenciação por valor social. Vejamos a seguir como cada uma delas pode se tornar modelo de estratégia sustentável de competitividade para as organizações.

7.1 Estratégia por diferenciação do composto de marketing combinado
Vem propor que além dos atributos e benefícios de produtos, as ações de promoção, distribuição e preço podem ser diferenciações valorizadas pelo cliente, quanto ao preço, Porter (1986) o considera como exclusivo atributo de vantagem competitiva, contudo, alguns segmentos podem demonstrar que a liderança em custo que também é uma diferenciação pode ser combinada a outra diferenciação no que se refere ao composto de marketing.
O consumidor está cada vez mais atento às mudanças de mercado e age a qualquer reflexo que o beneficie, portanto, só liderança em custo pode não ser mais suficiente para garantir a satisfação do consumidor a longo prazo, talvez seja preciso criar outras formas para diferenciar a transação.
A inovação tecnológica tem sido fator principal de diferenciação de produto e sobretudo, conforme a evolução tecnológica e necessidades dos consumidores, o produto passou a ser potencial, pois a medida que as diferenciações tecnologias eram agregadas ao produto como estratégia de diferenciação, os mesmos deixaram de atender somente aos atributos de benefício central e esperado. Assim, a estratégia de diferenciação do composto de marketing combinado, ou seja, liderança em custo e promoção como sendo estratégia de diferenciação, a importância deixa de ser atribuída ao produto potencial passando a transação ampliada ou diferenciada, a proposta é tornar as transações norteadas de diferenciais como vantagem competitiva. Por outro lado, a imitação pela concorrência numa busca incessante pela oferta de diferenciações combinadas não será diferente ao que ocorreu no produto, contudo, as organizações terão que apresentar competências específicas e em nível superior, resultantes do aprendizado organizacional e da combinação única de vários recursos. Prahalad e Hamel (1995) utilizam o termo core competences (competências essenciais) e consideram que estas são o aprendizado coletivo da organização, especialmente de como coordenar recursos e tecnologias.
A figura 2 vem contribuir para um pensamento estratégico voltado para combinações entre liderança em custo e composto de marketing, a intenção é que uma vez combinada liderança em custo com o composto de marketing, a organização possa aumentar o leque atributos e benefícios de um produto ou serviço para o cliente, além de alcançar níveis de vantagem competitiva superiores e difíceis de serem imitados e, portanto, atingir os melhores resultados que seus concorrentes. Cada vez mais, as organizações terão que investir na renovação de suas competências, como resposta a um mercado instável e repleto de riscos, pois os esforços em oferecer o que o cliente deseja hoje, não é garantia do que ele irá querer amanhã. Portanto, um dos maiores desafios das organizações é a renovação contínua de suas habilidades e tecnologias que as habilitam proporcionar benefícios para o cliente.

a) Liderança em custo combinado ao composto de marketing; Produto
Está estratégia tem como finalidade a ampliação de atributos e benefícios ao consumidor, nota-se que o produto além possuir características objetivas como qualidade, tecnologia, embalagem etc., também é constituído de valores subjetivos como por exemplo, marca e serviço associado. Assim, a organização terá que estar mais atenta à sua reputação e valoração de mercado pelo seu público, bem como alinhar as expectativas do cliente às competências essências do negócio.

b) Liderança em custo combinado ao composto de marketing; Promoção
Está estratégia avalia e está presente nos esforços das agências de publicidade, onde o principal objetivo é a comunicação da existência de um produto através da criatividade e persuasão. Ainda que este tipo de diferenciação esteja relacionado indiretamente ao poder de compra do consumidor, este por sua vez, trafega no inconsciente produzindo estímulos à emoção e racionalização. De nada adianta ser líder em custo se o produto não é entendido como uma real necessidade ou desejo do consumidor. Neste sentido, um dos desafios da organização é fazer com que a promoção resida ainda que temporariamente, na mente e coração do consumidor e que este possa ser fundamental para alcançar níveis superiores de competitividade.

c) Liderança em custo combinado ao composto de marketing; Praça
Esta estratégia está direcionada ao acesso do produto. Das condições necessárias para que haja o consumo (transação) estão: necessidade ou desejo do cliente, recursos (financeiro) e acesso (logística e disponibilidade). Entre as atividades da logística estão o transporte movimentação de materiais, armazenamento, processamento de pedidos e gerenciamento de informações (supply chain). Ter acesso ao produto é permitir que as organizações desenvolvam suas competências para aprovisionar, receber, armazenar, separar, expedir, transportar e entregar o produto/serviço certo, na hora certa, no lugar certo, ao menor custo possível.
As novas exigências para a atividade logística no Brasil e no mundo passam pelo maior controle e identificação de oportunidades de redução de custos, redução nos prazos de entrega e aumento da qualidade no cumprimento do prazo, disponibilidade constante dos produtos, programação das entregas, flexibilização da fabricação, análises de longo prazo com incrementos em inovação tecnológica (internet), novas metodologias de custeio e novas ferramentas para redefinição de processo.
Fonte: sugestão do autor

7.2 Estratégia de diferenciação com base no “valor social”
Caminhamos para um futuro onde as organizações deverão ter visão de longo prazo e uma forma pensar ecológica. Muitas organizações têm buscado patamares superiores de performance, estruturando parte ou o todo de seu trabalho em equipes. A gestão das organizações sempre foi marcada pela eficácia, sinalizada através de indicadores, a maioria deles quantitativo e financeiro: lucratividade, participação de mercado, produtividade etc. Contudo, esses indicadores não serão suficientes na mensurabilidade do desempenho da organização, fatores externos de representação social e de recuperação do meio ambiente deverão fazer parte do escopo de controle e de compromisso com a ética. Em gestão o questionamento ético ficou muito tempo na sombra, há, no entanto, a necessidade de emergir a ética como importante elemento de reflexão e inclusão nos interesses da organização.
A degradação do planeta é uma resultante do desmatamento e principalmente do aquecimento global, que vem se traduzindo ao longo do tempo como uma espécie de “efeito colateral do desenvolvimento” que a natureza nos impõe em razão do pouco compromisso com a ética e responsabilidades social e ambiental, ou seja, produzir um “desenvolvimento” a qualquer custo. As ações das organizações do futuro deverão passar pelo crivo da ética, onde a importância da biologia deverá ser cada vez mais disseminada entre a população e os gestores do desenvolvimento. Portanto, as organizações que cultivarem cada vez mais a filosofia da ação social, em prol da recuperação do meio ambiente, poderão ser vistas como atores do desenvolvimento ambiental, criando perspectivas de valor associadas à marca, assim este pode ser uma estratégia de diferenciação combinada com o composto de marketing. O crédito de carbono é um exemplo claro de valor social que consiste na transação de certificados emitidos quando ocorre a redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivalente corresponde a um crédito de carbono. Este crédito pode ser negociado no mercado internacional. Nota-se que a imitação desta estratégia por diferenciação de valor social levará a comunidade organizacional a rempensar o seu negócio tomando como preocupação básica o futuro do meio ambiente, e quanto maior a imitação desta estratégia de diferenciação maior será o beneficio à sociedade e recuperação do nosso planeta.
A Ypê, por exemplo, que fabrica uma linha completa de produtos de limpeza para uso doméstico e sob um política de preços baixos, investiu na área social e no meio ambiente, desenvolvendo ao longo do tempo inúmeras ações com esse enfoque. Em 2007 iniciou um projeto mais arrojado, o Projeto Florestas Ypê, que vai plantar milhares de árvores em regiões de matas ciliares, minimizando os efeitos que o confronto da vida moderna acarreta à natureza, ajudando a garantir a todos um futuro melhor. A idéia rendeu à marca Ypê um lugar entre os líderes do novo prêmio Preservação do Meio Ambiente do Folha Top of Mind 2007.
Na pesquisa do Instituto Akatu em 2007, aponta que15% dos consumidores no Brasil deixam de comprar um produto ou falam mal de uma empresa que tenha prejudicado de alguma forma o ambiente e sociedade na qual está inserida. Na Austrália, o percentual é de 51%, nos Estados Unidos, de 42% e na Alemanha, de 42%.
Os números revelam um contraste com os dados sobre o interesse em conhecer como as empresas praticam a responsabilidade(75% afirmaram estar muito interessados) ou com o crescimento dos que acreditam que as empresas são também responsáveis por ajudar e resolver os problemas sociais. Notoriamente há uma distância entre o que pensa e o que prática o consumidor, igualmente detectda em suas ações cotidianas, como separar o lixo ou não, comprar produtos piratas entre outras ações sociais e ambientais. Contudo, há uma nítida pressão dos consumidores sobre as empresas, estão comprovadamente mais atentos ao que se fala delas e menos ao que se falam de si próprias e começam, ainda que lentamente, a utilizar esses critérios na hora de comprar. Cresceu em 7 pontos percentuais: 36% em 2005 contra 43% em 2006 a proporção de consumidores que incentivam outros a prestigiarem empresas socialmente responsáveis.
A função de marketing sem viés econômico e social não é marketing, o produto final da transação deve servir esses dois contextos, e como resultante desse axioma pode-se dizer que as estratégias de diferenciação em marketing baseiam-se: na oferta de bem estar em troca da viabilidade econômica e social.
A figura 3 tem como proposta que as estratégias cobinadas ao composto de marketing podem ser associadas aos esfoços estratégicos em âmbito sócio-ambiental, ou seja, a diferenciação pode estar associada à programas, campanhas ou movimentos que tenham a pretenção da manunteção, preservação do meio ambiental e bem estar social. Os benefícios esperados para a organização é de crescimento sustentável e valoração de sua imagem, enquanto que para os clientes, espera-se como benefícios a qualidade de vida social, exercício da ética e responsabilidade sobre o impactos do meio ambiente. Neste sentido, a proposta é que as abordagens de responsabilidade socio-ambiental não estejam desvinculadas do negócio da empresa.
Fonte: sugestão do autor

Considerações Finais
A estratégia por diferenciação deve estar baseada em recursos e competências exclusivas da organização e pode ser iniciada para almejar novos mercados, maximização de lucros e conquista de market share. Uma visão baseada em recursos afirma que a estratégia deve se apoiar em uma compreensão detalhada dos recursos e competências de uma organização, principalmente no que se refere quando essa capacitação for difícil de imitar. Contudo, essa abordagem não é tão direta quanto pode parecer. O problema é que as competências provavelmente residem não tanto no patrimônio físico como nas habilidades, talentos, comportamentos e atividades que são responsáveis pelo sucesso estratégico da organização. Pode haver competências incorporadas na cultura organizacional das quais gestores talvez nem estejam cientes.
Se a organização possui competências exclusivas em oferecer o melhor custo para o consumidor, este tem a oportunidade de diferenciar-se da concorrência e portanto, também é uma estratégia por diferenciação. Assim, o grande desafio para as organizações é o estudo contínuo do comportamento do consumidor para formulação de estratégias cujos impactos superem a expectativa do consumidor, bem como sejam renovadas sob qualquer suspeita de imitação pelos concorrentes.
Haverá um crescimento exponencial de organizações orientadas para o consumidor, interessadas em criar valores (diferenciação), construir e reconstruir relacionamentos que resultem num intenso diálogo entre organização e consumidor e, as empresas que apresentarem competências e flexibilidade para respostas rápidas num ambiente de constantes mudanças, estarão à frente, porque além de buscarem continuamente a formulação estratégica por diferenciação, já serão elas próprias diferentes em cultivarem a cultura para o diálogo.
Porter enfatiza a necessidade da empresa escolher apenas uma estratégia, para evitar um posicionamento indefinido e frágil, que provavelmente trará prejuízos para a empresa. Novas pesquisas e estudos são necessários para identificar as estratégias dominantes da industria e se de fato o mercado sinaliza as práticas das estratégias genéricas de Porter(1986). Desta forma, a proposta é fazer com que estes estudos futuros possam responder as seguintes perguntas:
a) Existem segmentos mais favoráveis quanto à escolha por estratégias combinadas de custo e diferenciação?
b) Quais são os resultados de empresas que estão no meio-termo versus as que lideram por custo ou diferenciação?
c) O pensamento estratégico orientado para ação sócio-ambiental é peremptório para o sucesso da organização?
A pesquisa direcionada ao ramo de eletroeletrônicos, ainda que por menor tenha sido sua amostragem, sinaliza que o consumidor pode não mais estar atento aos benefícios exclusivos de preço ou diferenciação. Contudo, meio a um mercado cada vez mais repleto de ofertas de produtos e serviços “commodities” e norteado de competidores acirrados pela preferência dos consumidores, as organizações terão que repensar o seu negócio como proposta de diversificação de diferenciais, sejam orientados pelo composto de marketing combinado ou valor social.
As organizações precisam buscar cada vez mais formas criativas de recompensar o consumidor nas transações a longo prazo, o relacionamento não se limitará aos benefícios de produtos ou serviços. A forma de competir pode não estar mais associada apenas ao produto ou serviço, será preciso mais que isso, valor é o que as organizações terão que ofertar ao consumidor continuamente sob contexto do bem estar social e compromisso com a ética. Assim, o consumidor atentará cada vez mais para a transação com viés social.
As pesquisas realizadas e que compõem este artigo ainda que sugerem que as estratégias de Porter (1986) possam ser revistas, conforto e facilidade não são palavras de ordem para criar uma nova luz teórica sob o contexto da estratégia competitiva que vem sendo discutido há mais de vinte anos e que, está mais que disseminado tanto no cenário acadêmico como no cenário coorporativo. Com base nas críticas e sugestões de Dess e Davis, Hill (1988), Mintzberg (1988), sobre as estratégias genéricas de Porter(1986), pouco tem-se explorado esse assunto como contribuição efetiva para a sua reflexão, faltam receberem validação empírica para que se possa legitimar sua aplicabilidade. Portanto, propõe-se o estimulo de novas pesquisas de campo que possam corroborar ou apontar para outras direções a necessidade de expansão do escopo da estratégica por diferenciação, bem como, propor às instituições de ensino, uma nova reflexão sobre novos paradigmas da estratégia competitiva e que o modelo atual possa conter um corpo teórico ampliado como possíveis respostas aos novos desafios e perspectivas de mercado.

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